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Vilela-Calheiros: Os irmãos siameses estão de volta.


Na verdade nunca se foram Decerto, Teotônio Vilela Filho pode ser considerado um dos políticos mais vocacionados da historia de Alagoas, seu poder de articulação é bem conhecido nos bastidores e sua estratégia em manter-se discreto no jogo político reforça sua habilidade em dar as cartas, mesmo estando há quase oito anos fora dos holofotes. Apesar de sempre declarar impassibilidade diante da movimentação política no estado, o que garante a qualificação de “ás da política” de Téo é justamente saber dialogar “por debaixo dos panos”, garantindo grandes articulações, mesmo não tendo mais voz ativa oficialmente.


Não obstante, sua discrição não o livrou de ter uma de suas alianças mais polêmicas revelada, a aliança entre Renan Calheiros e Téo Vilela rendeu-lhes a alcunha de “irmãos siameses” e equipam de mãos dadas uma montanha russa política construída com afagos e prestígios e ai de quem ousa se enredar entre eles. Por fora assistimos os desarranjes que surgem ao longo de mais de 30 anos de parceria Calheiros-Vilela. As peças do xadrez político são movidas pela dupla desde essa parceria antagônica se entendeu por gente, lá em 1994, quando ambos foram eleitos Senadores, essa aliança duradoura vem ditando as diretrizes das gestões no estado.
Atualmente, mesmo com Vilela teoricamente fora do cenário, o ex-governador ainda coescreve o roteiro que movimenta os rumos da política alagoana, a dupla segue fidedignamente o roteiro, querendo ou não todas as alianças, chapas, candidatos e até mesmo vencedores são decididos do alto de suas coberturas ou casas de veraneio, em reuniões regadas a whisky e confabulações sobre quem fica e quem vai. Mesmo que observemos a rivalidade partidária, quiçá ideológica, nada passa do teatro arcaico que degenera as relações políticas da massa e os manipula para atender os planos dos caciques que configuram o tabuleiro ao seu bel prazer.
Um ou outro se safa e tenta agir de forma independente, mas inevitavelmente todos estão envolvidos na manipulação dos irmãos siameses, que até já deram por entender um suposto rompimento em 2010 em uma aliança vitoriosa entre Téo e o senador Benedito de Lira, mas provaram que essa parceria é vitalícia quando nas eleições de 2014 Teo não refez a dobradinha com Biu e colocou Júlio Cézar a candidato retirando o procurador Eduardo Tavares da jogada, concluindo assim o mandato e facilitando a vida de RF em seu caminho ao governo.
Comemorando seu aniversário de 71 anos e nesses quase oito anos fora do poder, Téo pode aparentar agir como um mero eleitor, mas a realidade é que ele continua sendo um hábil negociador e brilhante arquiteto de chapas majoritárias e proporcionais, ainda imerso no meio político e, junto com Renan Calheiros, tratam Alagoas como uma mesa de poker, onde ambos são os “dealers” que embaralham e distribuem as cartas em todas as jogadas.

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