A última partida do CRB na temporada 2022 foi marcada por um lance discutível no Estádio Rei Pelé, no jogo contra o Bahia (assista ao lance no vídeo abaixo).
Aos 31 minutos do segundo tempo, o árbitro Ramon Abatti Abel, de Santa Catarina, assinalou pênalti depois que o atacante Anselmo Ramon tira a bola, escorrega e atinge Vitor Jacaré dentro da área. A jogada começou numa cobrança de falta, que desviou na barreira regatiana. Detalhe: o gramado estava completamente encharcado.
Na cobrança, Lucas Mugni converteu a penalidade e deu a vitória, por 2 a 1, assegurando o Tricolor na Série A de 2023.
Analista de arbitragem da Confederação Brasileira de Futebol, George Alves Feitoza avaliou a jogada e opinou sobre a decisão do juiz.
– O árbitro está com o campo de visão muito privilegiado. Ele tem o domínio da área penal, marcou a penalidade e na sequência ele entendeu. Esse é o meu entendimento também, que no primeiro momento até tem uma disputa pela bola, mas o Anselmo Ramon foi imprudente com a bola em jogo. Ele tenta cortar a bola, atinge o jogador do Bahia e em ato contínuo, deixa o pé com brutalidade nas costas do adversário, atingindo e fazendo com que o atacante venha cair ao solo. Então o árbitro estava numa posição bem ampla da jogada e tomou essa decisão sem pensar duas vezes – explicou Feitoza, acrescentando:
– O árbitro não recomendou revisão (do VAR) porque a comunicação do árbitro central foi a mesma, o mesmo entendimento que o pessoal na cabine teve. Então, eles não iriam mudar a decisão e iriam respeitar a decisão inicial do árbitro porque perceba: ele tenta cortar a bola de maneira imprudente e deixa o pé com brutalidade quando já não tem mais disputa de bola.
George também emitiu sua opinião sobre a marcação.
– Então o árbitro entendeu que houve essa atitude maliciosa do jogador do CRB atingindo seu adversário com força excessiva, o chamado, na arbitragem, jogo brusco grave, quando se emprega uma força desproporcional na disputa, atingindo o adversário num local onde não existe disputa de bola. Então, ele correu o risco e o árbitro não pensou duas vezes e marcou a penalidade. Eu também assim entendi como correta a marcação do árbitro no campo de jogo.
O analista ainda informou que o árbitro de vídeo analisou uma possível posição de impedimento do atacante do Bahia e explicou o que ocorreria caso fosse constatada a irregularidade.
– O VAR também checou a posição do atacante do Bahia pra ver se ele estava em posição de impedimento após a marcação da penalidade. E a posição dele era legal, foram traçadas as linhas, deu o posicionamento legal, mas vale salientar que se houvesse impedimento na jogada, o pênalti seria anulado, mas o cartão vermelho, não, porque o árbitro entendeu como uma brutalidade. Se fosse impedimento, seria reiniciado com tiro livre indireto em favor do CRB, mas o cartão vermelho seria mantido pela brutalidade da disputa de bola.




