Douglas Goes, de 20 anos, chamou atenção recentemente ao conquistar, ao lado de André Danilo, a medalha de bronze na 7ª etapa do Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia Aberto, em João Pessoa. Esse resultado é um feito para Alagoas. Há mais de 20 anos, um representante do estado não subia ao pódio da competição nacional no naipe masculino.
A vitória, no entanto, é fruto de uma trajetória de muita perseverança. Para competir em alto nível, Douglas precisou trabalhar até como servente de pedreiro e treinar descalço.
Além da medalha, Douglas, com seu 1.94m, se destacou com o melhor bloqueio da etapa, marcando 22 pontos no fundamento. E esse bom resultado dele veio depois de apenas um ano disputando o Circuito Brasileiro. A sua primeira participação foi em agosto de 2024.
A história de Douglas Goes no voleibol começou na adolescência, aos 13 anos. Natural de Garanhuns-PE, ele não passou na primeira seletiva em que participou, mas a vontade de jogar era tanta que procurou outros meios. Foi aí que encontrou o professor Paulo Wanderley, responsável por lhe ensinar a base do esporte.
Douglas começou a treinar em Garanhuns, porém, o local não tinha estrutura. No esporte brasileiro, a primeira peneira é feita antes dos jogos. É fundamental persistir.
— As condições de treino na minha cidade eram muito precárias. Em termos de tudo, né? Condições financeiras, tênis, ter uma roupa da hora para treinar… E sempre o meu professor Paulo, lá em Garanhuns, dava um jeito para a gente treinar, malhar, fazia aqueles pesos caseiros para a gente estar em dia com o físico.
Douglas contou que, muitas vezes, precisou jogar descalço em quadras de concreto e sem teto. Os pés sofriam com tamanho calor.
— Cheguei a competir nos jogos escolares descalço, porque eu não tinha o costume de jogar com tênis. O tênis que eu tinha não era adequado para jogar, escorregava. Aí pedíamos pra tirar o tênis pra competir — revelou o atleta.
A saída de casa e a mudança para Alagoas
Douglas deixou o emprego como servente para ir a Alagoas com o firme propósito de treinar e se concentrar no vôlei de praia. Ele contou ao ge como surgiu a oportunidade.
— Foi através da Taça Maurício Borges. O professor Roney, que hoje é meu treinador, me viu jogar e fez o convite para atuar no CT Pajuçara.
Segundo Douglas, ele não acreditava que essa mudança de piso desse certo por ser habituado a jogar na quadra.
— No começo, eu não queria, porque eu era da quadra e sempre é aquele negócio estranho, ruim, essa transição da quadra para a praia. No início, errava muito, não conseguia acertar tudo, mas, no decorrer do tempo, fui gostando. Daí eu falei que é isso que quero para minha vida e olha onde eu estou hoje.
Atualmente, Douglas treina com o técnico Roneyvon Brandão, pelo CT Pajuçara, centro de treinamento de vôlei de praia ativo há sete anos. O CT tem parceria e conta também com o apoio da Associação dos Servidores da Justiça Federal em Alagoas (ASSEJUF).
Futuro no vôlei de praia
Morar longe da família não é fácil, a saudade aperta, a rede de apoio está longe. O pernambucano Douglas contou ser essa uma das principais dificuldades que enfrenta em Maceió.
— Eu estou longe da minha família há um ano e oito meses. E, sem conhecer ninguém, eu vim com a cara, a coragem e um sonho. Graças a Deus, eu venho me mantendo forte aqui para que eu possa continuar com o meu sonho de ser jogador profissional. O que me motiva cada dia mais é a sede de orgulhar a minha mãe e minha família e ser alguém no esporte.
Com a medalha no Circuito Brasileiro, Douglas conquistou a vaga para a fase principal do aberto.
— O próximo passo no vôlei de praia é que eu possa ser campeão (do aberto) e disputar um Top-16. Sabemos que não é fácil o aberto, mas eu quero ganhar uma etapa e subir para o Top-16.
Douglas também revelou qual é o seu maior objetivo no esporte:
— Se Deus quiser, um dia, ser convocado para poder disputar uma Olimpíada.




