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A Sombra que Comanda: a presença onipresente do secretário Vitor Pereira no governo Dantas

Nos corredores do Palácio República dos Palmares, uma percepção se repete como mantra entre servidores, aliados e até adversários políticos: em qualquer pasta, por menor que seja, há sempre a presença de Vitor Pereira, o secretário mais influente — e mais discreto — do governo Paulo Dantas. A fala é usualmente acompanhada de um olhar significativo: “onde você for, ele já esteve”. A frase resume o papel que Pereira ocupa hoje na engrenagem administrativa, operando como uma espécie de executivo informal da máquina estatal.

Fontes internas descrevem que a gestão diária, o funcionamento técnico, burocrático e financeiro do governo passa pelas mãos dele, enquanto ao governador fica reservado aquilo que muitos classificam como “a agenda política”: articulações, inaugurações, eventos públicos e negociações de caráter institucional. Pereira, por sua vez, atua nos bastidores, no ritmo de quem já entendeu que poder real é o que se exerce sem ser exibido.

Não por acaso, passou a ser chamado por alguns de “homem da Saúde”, ainda que seu alcance ultrapasse em muito os limites da Secretaria de Saúde. O apelido nasceu do fato de ser ele quem negocia com fornecedores, quem dialoga com credores e quem intermedeia situações de crise — tarefas tradicionalmente associadas aos titulares das pastas. Mas, no governo Dantas, as fronteiras se embaralharam. A atividade de Pereira tornou-se transversal, abrangendo obras, finanças, logística, comunicação e, cada vez mais, decisões estruturantes.

O traço mais revelador dessa nova arquitetura de poder é o silêncio. Nenhum secretário deseja entrar em conflito com Pereira — não apenas porque compreenderam sua ascendência, mas porque, como dizem servidores experientes, “quem ficou no governo sabe que Pereira é Dantas”. A equivalência, repetida à meia-voz, não surge como metáfora, mas como constatação de que a tomada de decisões foi centralizada numa figura de absoluta confiança, alguém que o governador blindou e elevou para operar sem ruídos.

Se, para alguns, Pereira representa eficiência administrativa, para outros ele simboliza o fortalecimento de um círculo de poder cada vez mais restrito, onde a influência se concentra e se perpetua longe dos olhos públicos. O fato é que, dentro do governo, ninguém ignora quem realmente conduz o dia a dia — e esse alguém não aparece nas fotos de inaugurações.

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