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Em meio a crise na saúde e operação da PF, governador de Alagoas ostenta relógios de quase meio milhão de reais

Enquanto hospital oncológico suspende tratamentos por falta de repasse de R$ 6,6 milhões e PF desvenda esquema milionário, Paulo Dantas exibe Rolex caríssimos e se desloca apenas de helicóptero

Enquanto Alagoas enfrenta uma das maiores crises na saúde de sua história, com uma unidade de alta complexidade em oncologia do Agreste e Sertão sem recursos para tratar pacientes com câncer e uma operação da Polícia Federal investigando desvios milionários no setor, o governador Paulo Dantas (MDB) chama atenção pela ostentação de relógios de luxo que chegam a valer R$ 413 mil.
Em vídeos e publicações oficiais nas redes sociais, é frequente ver o governador portando modelos caríssimos da Rolex, como o Day-Date 40 em ouro branco, cujo valor pode ultrapassar R$ 400 mil. O hábito contrasta com a realidade de milhares de alagoanos que dependem do sistema público de saúde, hoje asfixiado por atrasos nos repasses e suspeitas de corrupção em grande escala.
A crise na saúde se aprofunda a cada dia. Na última quinta-feira (18), o Ministério Público Federal reforçou um pedido de medida liminar para que o Estado regularize imediatamente os repasses atrasados ao Complexo Hospitalar Manoel André (Hospital CHAMA). A dívida supera R$ 6,6 milhões e compromete o tratamento oncológico de mais de 1 milhão de habitantes de 47 municípios.
Paralelamente, a Operação Estágio IV da PF investiga um esquema de desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro na Secretaria de Estado da Saúde (Sesau). Na sexta-feira (19), dez servidores foram afastados cautelarmente por 180 dias. O secretário estadual de Saúde, Gustavo Pontes de Miranda, já havia sido afastado na terça-feira (16) por determinação judicial.
A PF identificou que recursos desviados foram usados para a compra de uma pousada de alto padrão em Porto de Pedras avaliada em R$ 5,7 milhões – registrada em nome do filho do secretário –, além de custear viagens internacionais e gastos pessoais dos investigados.
Enquanto isso, Paulo Dantas mantém um estilo de vida que inclui deslocamentos exclusivos de helicóptero para eventos oficiais – prática adotada desde o início de seu governo – e a exibição pública de bens de luxo incompatíveis com o salário de um gestor público.
O contraste entre a ostentação no poder e o colapso na saúde pública alimenta o debate sobre ética, prioridades e transparência na gestão estadual, em um momento em que vidas dependem de recursos que, segundo a PF, foram sistematicamente desviados.

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