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Prisão em casa, conta pública em alta: Collor custa R$ 2,27 milhões à União

“A gente não chuta cachorro morto.” A frase costuma circular nos bastidores do poder para desaconselhar críticas a figuras em queda. Mas, no caso do ex-presidente Fernando Collor de Mello, os números falam mais alto — e são um tapa na cara da sociedade.

Mesmo cumprindo prisão domiciliar em Maceió, Collor acumulou R$ 2,27 milhões em despesas custeadas pela União ao longo de 2025, segundo dados do Portal da Transparência da Casa Civil. O montante o coloca entre os ex-presidentes que mais consumiram recursos públicos no período, apesar de não exercer qualquer função pública.

A maior fatia do gasto chama atenção: R$ 1,03 milhão foi destinado a passagens aéreas, locomoção e diárias em hotéis, o maior valor entre todos os ex-presidentes nessa rubrica. As despesas incluem a manutenção de equipe de segurança, apoio pessoal, assessores, veículos oficiais e motoristas, benefícios previstos em lei para ex-chefes do Executivo — independentemente de sua situação judicial.

Collor foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a oito anos e dez meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A pena, contudo, foi convertida em prisão domiciliar por decisão do ministro Alexandre de Moraes, com base na idade avançada e em problemas de saúde apresentados pela defesa.

A conversão da pena não suspendeu, porém, os benefícios vitalícios bancados pela União. O resultado é um paradoxo difícil de explicar ao contribuinte: um condenado por corrupção, privado de liberdade, mas ainda amparado por uma estrutura pública robusta e cara.

O caso reacende o debate sobre limites, critérios e moralidade na concessão de benefícios a ex-presidentes — especialmente quando a biografia política colide frontalmente com a condenação criminal. Enquanto isso, a conta segue aberta. E paga por todos.

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