A federação formada por PP e União Brasil vive um dilema silencioso, porém decisivo, em Alagoas. Pelas projeções que circulam nos bastidores de Brasília e Maceió, a chapa dificilmente repetirá o desempenho atual e pode eleger, no máximo, três deputados federais em 2026. Hoje, são quatro parlamentares com mandato. A matemática não fecha — e alguém tende a ficar pelo caminho.
Integram a federação os deputados Alfredo Gaspar de Mendonça, Fábio Costa, Daniel Barbosa e Marx Beltrão, além de Arthur Lira, que permanece no PP, onde exerce liderança incontestável. Lira, no entanto, deve disputar o Senado, o que o retira da conta proporcional.
O problema está na disputa interna. Pela federação também se movimentam nomes sem mandato, como Alvinho Lira e Gunnar Paladini, ampliando a concorrência por votos dentro da mesma chapa.
Nos cálculos do mundo político-eleitoral, com o cenário atual e a fragmentação do eleitorado, a federação teria fôlego para, no máximo, três cadeiras. Resultado: um dos atuais deputados pode não alcançar a reeleição.
A saída estratégica passa pela chamada “janela da infidelidade partidária”, em março. Para que o plano de reeleição funcione, será necessário enxugar a chapa — o que, na prática, significa defecção. O Partido Novo já estaria pronto para receber Alfredo Gaspar, caso ele opte por assinar a ficha. Há também convites do Partido Liberal que alcançam não apenas Gaspar, mas igualmente Costa, Barbosa e Beltrão.
O movimento é delicado. Permanecer na federação implica disputar votos entre aliados; sair pode representar risco estrutural em outra legenda.
A pergunta que domina as conversas reservadas é direta: quem aceitará deixar a federação para preservar o próprio mandato — e quem pagará o preço da aritmética eleitoral?




