Nos bastidores do Palácio, a expressão circula em tom quase protocolar: há uma casta de “secretários intocáveis” — nomes que, independentemente de crises, ruídos ou investigações, permanecem blindados no coração do governo.
A lista, segundo fontes ouvidas pela reportagem, não é extensa, mas é estratégica. Integram o seleto grupo o secretário de Governo, Victor Pereira, peça-chave na articulação política; a titular da Fazenda, Renata dos Santos, responsável pelo cofre e pelo equilíbrio fiscal; e, mais recentemente, Pontes de Miranda, cuja permanência no núcleo duro ganhou novos contornos após a deflagração da Operação Estágio IV.
É justamente nesse ponto que a narrativa se tensiona. Interlocutores próximos ao poder classificam a ofensiva da Polícia Federal como “perseguição”, minimizando seus efeitos políticos. Ainda assim, reservadamente, admitem que foi a partir da operação que Pontes passou a figurar definitivamente entre os protegidos da chamada “casa”. A leitura é pragmática: sob pressão externa, fecha-se o cerco interno.
A blindagem não é trivial. Em um governo onde cargos estratégicos costumam ser moeda de acomodação política, a manutenção irrestrita desses nomes indica mais que confiança pessoal — revela dependência estrutural. Governo, Fazenda e a pasta sob influência de Pontes concentram decisões que atravessam orçamento, articulação institucional e execução administrativa.
Não é pouco. Em Alagoas, integrar o núcleo dos “intocáveis” significa operar no andar de cima do poder, onde crises são administradas com silêncio e lealdade é ativo de alto valor. Resta saber até que ponto a blindagem resiste quando os fatos ultrapassam os muros do Palácio.




