Em meio a um escândalo que investiga quase R$ 100 milhões em contratos da saúde pública de Alagoas, o governo de Paulo Dantas segue conduzindo a agenda da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) sem sinais aparentes de crise administrativa.
Nesta segunda-feira (9), a pasta promoveu o acolhimento de 69 novos residentes dos programas de residência médica, multiprofissional e uniprofissional. O evento institucional destacou a formação de profissionais voltados ao fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) e contou com a participação de gestores e integrantes da rede estadual.
A cerimônia ocorre poucos meses após a Polícia Federal deflagrar a Operação Estágio IV, investigação que apura suspeitas de irregularidades em contratos firmados pela Sesau e que, segundo os investigadores, podem alcançar cerca de R$ 100 milhões.
No centro do inquérito está o secretário estadual de Saúde, Gustavo Pontes de Miranda. Após a operação, ele chegou a ser afastado do cargo por decisão judicial no âmbito das investigações conduzidas pela Justiça Federal.
O afastamento, no entanto, foi revertido posteriormente por decisão liminar do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que suspendeu a medida e autorizou o retorno do secretário à função. Com a decisão, o governador Paulo Dantas determinou a recondução de Gustavo Pontes ao comando da pasta, mesmo com a investigação em curso.
Desde então, o secretário voltou a participar de compromissos públicos e eventos institucionais ligados à saúde estadual, sinalizando uma tentativa de retomada da rotina administrativa.
Enquanto a apuração segue em andamento na esfera federal, a gestão estadual mantém o discurso de normalidade dentro da Secretaria de Saúde e evita tratar publicamente do impacto político das investigações. Nos bastidores, porém, o caso segue sendo acompanhado com atenção por aliados e adversários do governo, diante do potencial de desgaste provocado pelo escândalo.




