Chamou atenção nos bastidores políticos — e entre setores da imprensa — a ausência do secretário estadual de Saúde, Gustavo Pontes de Miranda, no evento realizado na última sexta-feira no Palácio República dos Palmares. A solenidade marcou o anúncio de R$ 30 milhões em investimentos do Sistema Único de Saúde (SUS) para Alagoas, dentro do chamado PAC da Saúde.
Não se tratava de uma agenda qualquer. O SUS, principal estrutura pública de atendimento médico do país, tornou-se símbolo de resistência institucional durante a pandemia da Covid-19 e segue como fonte essencial de financiamento da saúde pública brasileira. Em eventos dessa natureza, a presença do titular da pasta costuma ser considerada natural — sobretudo quando os recursos anunciados impactam diretamente a rede estadual.
Mas Gustavo Pontes não apareceu.
A cerimônia teve forte peso político, com destaque para as presenças do senador Renan Calheiros e do ministro Renan Filho, reforçando a centralidade do grupo de Murici no ato institucional. A ausência do secretário, justamente nesse contexto, ampliou especulações.
Nos corredores do poder, aliados sustentam que Pontes de Miranda não deverá participar de agendas diretamente vinculadas ao núcleo calheirista. Oficialmente, ninguém confirma. Extraoficialmente, a leitura é de distanciamento calculado.
Há ainda outra interpretação circulando entre interlocutores do governo: o grupo político buscaria evitar associação direta com episódios recentes envolvendo a gestão da Saúde, alguns deles alvo de investigações da Polícia Federal. Embora sem desdobramentos conclusivos até agora, o tema segue sensível e politicamente desgastante.
A pergunta que permanece nos bastidores é objetiva: tratou-se apenas de ausência protocolar ou de mais um capítulo de rearranjo interno no poder estadual?
Em política, ausências também comunicam. E, às vezes, falam mais alto que discursos.




