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Fim de dinastia?

Alagoas não é um estado. É um tabuleiro de xadrez onde as peças têm sobrenome e os reis de verdade raramente aparecem em campanha.

Davi Davino Filho sabe disso melhor do que ninguém. Seu cálculo para o Senado não começa nos programas de televisão nem nas redes sociais — começa no mapa. No agreste e no sertão, naqueles municípios onde um nome de família vale mais do que qualquer plataforma política, onde a lealdade se herda e a traição se cobra com juros de geração.

Os Calheiros têm o sertão como patrimônio histórico. Mas o sertão, desta vez, está rachado. Os Malta — outra linhagem de poder com raízes tão fundas quanto antigas — fecharam com JHC, e esse movimento embaralha o mapa que parecia simples. As outras famílias foram para o lado dos Calheiros, sim, mas família contra família é guerra de atrito, não de resultado rápido. A divisão no sertão é uma ferida aberta que nenhum dos lados quer admitir que não consegue fechar.

Na região metropolitana, JHC consegue parear as forças — e isso, por si só, já é um dado expressivo. Significa que o novo não é mais intruso, que a geometria do poder alagoano admite agora outro vértice. Para Davino Filho, porém, o agreste é onde o jogo se decide, e lá Célia Rocha pesa no prato da balança ao lado de Jota. Uma liderança que não se improvisa, construída em tempo longo, do tipo que o eleitorado reconhece antes mesmo de ver o número na urna.

O que se desenha em Alagoas é menos uma eleição do que uma cartografia do que ainda resta de cada clã. Quando o sertão se divide, quando o agreste vira campo de disputa e a metrópole recusa a ser reduto exclusivo de quem sempre a controlou, o que está em jogo não é apenas uma cadeira em Brasília. É a resposta à pergunta que a política alagoana carrega faz décadas e nunca ousou formular em voz alta: até quando os mesmos sobrenomes respondem pela vontade de todos os outros?

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