Maceió []
Min: Max:
Pesquisar

Duelo alagoano

Alagoas tem pressa. Ou pelo menos é o que os números sugerem, quando uma pesquisa coloca frente a frente dois nomes que carregam, cada um à sua moda, o peso inteiro da política alagoana — e o resultado é uma diferença de menos de cinco pontos, dentro da margem de erro, com meses ainda pela frente.

JHC, o ex-prefeito de Maceió, aparece com 45,9%. Renan Filho, ex-ministro, ex-governador, herdeiro de uma dinastia que conhece os atalhos do poder como quem conhece a planta da própria casa, está em 41%. Quatro vírgula nove pontos de distância. No vocabulário dos estatísticos, empate técnico. No vocabulário da política, uma guerra que mal começou.

O que a pesquisa do Instituto Paraná Pesquisas, encomendada pela TV Pajuçara e registrada no TSE, revela não é um vencedor — é uma tensão. Mil e quatrocentos eleitores ouvidos em 52 municípios, com 95% de confiança e margem de 2,7 pontos, desenharam não um retrato definitivo, mas um esboço inquieto. E esboços, como todo artista sabe, são os documentos mais honestos: mostram a mão hesitando antes de decidir o traço.

Há ainda os 6,4% que preferem o branco, o nulo ou nenhum dos dois — e esse número, discreto na tabela, diz o que os candidatos ainda não conseguiram dizer para uma fatia do eleitorado. Mais 5,4% que simplesmente não sabem ou não quiseram responder. Somados, quase doze pontos flutuando no ar alagoano como folhas antes da chuva. Para quem cair, esses votos podem ser a diferença entre a vitória e a derrota amarga. É aí que as campanhas se ganham ou se perdem — não no palanque, mas na escuta.

Lenilda Luna, com 1,4%, completa o quadro. Seu número, por ora modesto, não encerra a conversa: eleições longas são estradas com muitas curvas, e o retrato de julho raramente é o retrato de outubro. O que se pode dizer, com a frieza que os dados pedem, é que o pleito alagoano começa desenhado como um duelo. E duelos têm uma lógica própria — cruel, simples e sem piedade para quem perde o nervo primeiro.

Sobre a pesquisa

O levantamento foi feito entre os dias 28 de junho e 1º de julho e ouviu 1.400 eleitores em 52 municípios de Alagoas. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o nº AL04491/2026.

Fonte: TNH1

VEJA TAMBÉM