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JHC escolhe Marina Cândia e mira dois federais com uma jogada só

Há estratégias eleitorais que dispensam explicação e há aquelas que pedem uma nota de rodapé. A dobradinha entre JHC, candidato a governador, e Marina Cândia, ex-primeira-dama de Maceió, pertence à segunda categoria — não porque seja ilegítima, mas porque é deliberadamente calculada até nos seus milímetros.

O arranjo tem uma geometria curiosa. Candidatos majoritários, por regra não escrita do jogo, evitam ungir publicitamente um nome proporcional em detrimento dos demais aliados. O gesto irrita correligionários, desperta ciúmes, embaralha hierarquias. O PSDB, no entanto, decidiu virar essa página da cartilha e apostar numa lógica inversa: se Marina Cândia, carregando o peso simbólico do sobrenome e da trajetória ao lado do ex-prefeito, for empurrada pelo candidato ao Governo, ela puxa votos suficientes para arrastar consigo um segundo nome à Câmara Federal. Dois eleitos onde poderia haver um. Eficiência aritmética acima do decoro protocolar.

Entre os tucanos, pelo que se apura, não há murmúrio. Ninguém levantou a mão para reclamar. O que, em política, pode significar duas coisas: ou todos enxergaram a lógica e a aprovaram, ou simplesmente ninguém quer ser o primeiro a contestar quem tem a caneta na mão.

A pergunta que fica suspensa no ar, levíssima mas cortante, é a mais simples de todas: se a estratégia der certo, quem colhe o segundo fruto dessa colheita planejada? O nome do beneficiário ainda não veio à luz. Mas em política, raramente os favores são distribuídos sem endereço.

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