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Proximidade como raridade: o segredo de JHC que a política de gabinete nunca soube fabricar

Há fenômenos políticos que a lógica convencional recusa explicar. A carreira de JHC em Alagoas é um deles. Começou pela derrota — não foi eleito deputado estadual numa primeira disputa —, e a derrota, que para tantos é a última página do livro, para ele foi apenas o prólogo. Assumiu o mandato por outra via, foi à Câmara Federal e lá se tornou, proporcionalmente, o mais votado do Brasil na reeleição. Há quem chame isso de sorte. Mas a sorte não costuma se repetir com tanta precisão.

O que Neto Bomfim, presidente da UVEAL, identificou no Panorama Político desta segunda-feira é menos misterioso do que parece: JHC construiu um tipo de relação com o eleitor que a política de gabinete nunca soube fabricar. Proximidade. A palavra é simples, quase banal, mas no vocabulário da política alagoana ela tem o peso de uma raridade. Em estados onde o poder se herda como se herda mobília de família, a ideia de um parlamentar que se mantém acessível à população soa, para alguns, quase como um escândalo de ruptura.

A outra face da observação de Bomfim é mais dura, e merece ser dita sem ornamentos: quem governa por décadas não pode, na hora do balanço, apontar para o horizonte com inocência de turista. Os problemas que ainda afligem Alagoas têm endereço e têm calendário. A população, disse ele, tem observado esse cenário com atenção. Raramente uma frase tão comedida carrega tanto dentro.

É uma lei antiga da política, anterior a qualquer manual moderno de comunicação: o eleitor perdoa o novato que erra, mas não esquece o veterano que insiste. O tempo que deveria ser argumento de competência vira, em certas gestões, argumento de acusação. E aí a conta chega — não num debate, não numa entrevista, mas nas urnas, onde a população anota, com toda a calma, o que os poderosos prefeririam que ela esquecesse.

foto: Gazeta de Alagoas

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