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JHC enfrenta Renan Filho de frente e muda o tom da pré-campanha em Alagoas

Há um momento preciso em toda disputa política — aquele em que o candidato que se recusava ao confronto direto decide, enfim, largar a armadura emprestada e pegar a espada com as próprias mãos. Em Alagoas, esse momento chegou no último final de semana.

JHC saiu da sombra. Até então, a crítica a Renan Filho era uma tarefa delegada: era a senadora Eudócia Caldas, sua mãe, quem carregava esse fardo, enquanto o ex-prefeito reservava suas energias para atacar o governo Paulo Dantas. Quando Renan Filho aparecia na mira, era pelas bordas — no meme, no vídeo editado, na peça publicitária que diz sem dizer. Uma espécie de duelo por procuração, onde o pistoleiro principal permanecia sentado no saloon.

A estratégia, admite-se agora em silêncio, não funcionou. E o silêncio do insucesso é sempre mais eloquente do que qualquer comunicado.

Há uma lógica fria nessa virada. O eleitor que se quer conquistar raramente se satisfaz com o ataque indireto por muito tempo; ele quer ver o candidato assumir o risco, olhar o adversário nos olhos e falar o que pensa. A terceirização do confronto tem prazo de validade. Quando esse prazo vence, resta ao candidato uma escolha simples: ou vai ao ringue ou confirma, pela omissão, que temia ir.

JHC foi. A pré-campanha alagoana, que corria em pistas paralelas sem se tocar, entrou numa fase diferente — mais crua, mais direta, com os dois nomes se medindo pelas respectivas gestões e pelos números da saúde pública. É quando a política começa a ter gosto de política de verdade. Resta saber se JHC vai ao confronto com consistência suficiente para sustentar o que iniciou, ou se a ousadia do fim de semana foi apenas um sobressalto antes do recuo.

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