O Senado Federal nasceu para ser a câmara da maturidade — aquela instância onde a política, temperada pelo tempo, deveria ganhar a seriedade que a Câmara dos Deputados, mais jovem e turbulenta, nem sempre consegue sustentar. A ideia, herdada dos romanos com seu *senatus* de anciãos, era precisamente esta: que a experiência freasse o ímpeto, que o conhecimento acumulado corrigisse o erro do entusiasmo juvenil.
A realidade brasileira, contudo, cuidou de torcer esse desenho original até que ele se tornasse irreconhecível. A experiência que se acumula ali dentro não é sempre a da sabedoria — é, com frequência, a do acordo silencioso, a da convivência pacificada com o inaceitável, a do faro apurado para saber em qual vento se incensa sem fazer barulho. Senadores que permanecem por décadas não raramente se tornam especialistas numa única e sombria arte: a de sobreviver.
E aí chega o argumento da renovação,



