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Quando copiar não basta

Mais do que copiar uma campanha, o desafio é compreender o que ela representa

As comparações entre as pré-campanhas de JHC e Renan Filho começaram pelas redes sociais. Cores parecidas, bonés semelhantes, camisetas brancas, fotos com a bandeira de Alagoas, slogans que remetem ao mesmo conceito e até a forma de se apresentar diante das câmeras passaram a alimentar um debate inevitável: afinal, ao invés de se inspirar em alguém não seria mais eficaz encontrar uma forma original de se comunicar?

As semelhanças vão além, não se trata apenas de copiar elementos visuais, mas principalmente a campanha de Renan parece seguir os passos de JHC justamente no momento em que a disputa pelo Governo do Estado começa a ganhar forma.

JHC tem construído uma presença constante no interior de Alagoas por meio de viagens, encontros e discursos em torno de problemas que fazem parte do cotidiano da população: falta de água, estradas precárias, dificuldades no acesso à saúde, desemprego e ausência de oportunidades para os jovens. E antes mesmo de lançar slogans, ele já percorria o estado ouvindo as pessoas. Isso não é uma narrativa. É uma ação em curso.

Ou seja, a comunicação surgiu como consequência de um posicionamento político, foi a partir dessa estratégia que nasceram a identidade visual, o lema “Por Toda Alagoas”, as imagens ao lado da população e os símbolos que hoje identificam sua pré-campanha.

Talvez seja justamente aí que muitos enxergam a diferença. Renan esteve à frente do governo por 8 anos, elegeu o sucessor mas não foi capaz de se comunicar e entender as verdadeiras necessidades da população.

Ao comparar lado a lado peças das duas pré-campanhas fica claro que Renan Filho passou a adotar uma linguagem muito próxima daquela utilizada por JHC. As coincidências aparecem nas cores, nas fotografias e até nas expressões utilizadas nos vídeos.

O problema, porém, não está em usar azul, vestir uma camiseta branca ou posar com a bandeira de Alagoas. A questão é que símbolos só produzem resultado quando representam algo que o eleitor reconhece como verdadeiro.

A identificação não nasce da cor escolhida pelo marqueteiro. Ela nasce quando a população consegue entender e acatar a mensagem de um candidato e associar aquela identidade a uma ideia, a uma postura ou a uma expectativa de mudança.

Por isso copiar elementos não vai ser suficiente. O eleitor percebe quando uma campanha nasce de uma mensagem verdadeira e se identifica com aquele projeto.

Ao longo dos últimos anos, JHC consolidou uma imagem ligada à inovação administrativa em Maceió e, agora, procura ampliar esse discurso para todo o estado. A comunicação funciona principalmente porque o eleitor já conhece o trabalho realizado por ele em Maceió.

Renan Filho, por outro lado, enfrenta um desafio diferente. Como ex-governador, carrega o peso de todas as promessas não cumpridas e precisa convencer o eleitor de que agora representa algo novo. Copiando o principal adversário, corre o risco de reforçar que realmente não tem nada de novo sendo criado e em vez de ter a sua própria agenda está repetindo a estratégia para também “parecer” algo novo.

Então nunca foi sobre sobre bonés, camisetas ou slogans, é sobre a capacidade de interpretar melhor o sentimento e necessidades das ruas e traduzir esse sentimento amparada por uma administração que fez a diferença e que deu certo.

Cores podem ser copiadas, assim como repetir closes e fotografias e até adotar expressões semelhantes, o que não se copia é a capacidade de compreender o que a população espera de um gestor e transformar essa percepção em liderança política. Nesse quesito, JHC está dando de lavada.

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