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Sem almofada intermediária, disputa pelo governo de Alagoas vira jogo de tudo ou nada

Há eleições que se decidem antes mesmo de o sino soar. E há outras que carregam, por baixo da superfície calma, uma corrente subterrânea capaz de virar qualquer canoa desavisada.

Alagoas está prestes a viver uma dessas.

A convenção do PL, marcada para o dia 4 de agosto, deve selar o que os bastidores já sussurram há semanas: o partido não lançará candidato ao Palácio República dos Palmares. Se a informação se confirmar — e tudo indica que sim —, o mapa eleitoral alagoano perde aquela figura de que toda disputa oligárquica costuma precisar: o terceiro nome de peso, o candidato-cunha que empurra os dois principais para um segundo turno onde tudo pode acontecer. Em 2022, esse fator existiu. Desta vez, ao que tudo indica, não existirá. Lenilda Luna, candidata da UP ao governo, concentra sua votação em Maceió e não tem musculatura para alterar a geometria da disputa. Ela está na cédula; não está na equação.

O que sobra, então, é o confronto direto. JHC de um lado, Renan Filho do outro — dois nomes de peso, duas estruturas de poder, dois projetos políticos que se olham nos olhos sem o conforto de uma almofada intermediária. Primeiro turno, provavelmente. Duelo limpo, ou tão limpo quanto a política alagoana costuma permitir.

E aqui está o equívoco que seria fatal cometer: imaginar que a ausência de um terceiro candidato encorpado simplifica o cenário. Simplifica apenas a aritmética. Não simplifica a disputa. Eleição a dois, sem rede de segurança e sem segundo turno à vista, é eleição onde cada ponto percentual sangra. Onde o voto que falta não pode ser recuperado depois. Onde o favorito de hoje é exatamente a pessoa mais perigosa de ser amanhã — porque quem parece ganhar tende a relaxar, e quem parece perder tende a brigar com unhas e dentes.

Até agora, não há favorito declarado. Isso não é modéstia analítica: é a mais precisa leitura dos fatos disponíveis. A convenção de 4 de agosto pode ser o último rearranjo antes de o jogo endurecer de vez. Depois dela, Alagoas entra na reta — e retas, em política, costumam ser mais traiçoeiras do que as curvas.

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