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O celular desbancou a TV e JHC já sabia disso antes da conversa começar

Há um equívoco confortável circulando pelos corredores da política alagoana — e os equívocos confortáveis, como se sabe, são os mais difíceis de desalojar, porque servem a quem os repete.

A narrativa de que JHC depende de Arthur Lira para ter visibilidade televisiva parte de uma premissa já obsoleta: a de que a eleição ainda se decide no horário nobre da emissora. Em 2018, Romeu Zema conquistou o governo de Minas Gerais com cerca de dez segundos de propaganda na TV. Dez segundos. O dado, repetido como curiosidade, encerra uma revolução que a classe política ainda finge não ter enxergado.

O maior palanque de uma eleição, hoje, cabe na tela de um celular. E se esse é o terreno onde a batalha se decide, JHC não chega como retirante pedindo passagem — chega como quem conhece cada palmo do território. As redes sociais são sua casa, não seu refúgio de emergência. É onde ele pauta o debate, dita o ritmo e alcança milhões de pessoas sem esperar a benevolência de uma grade de programação. Se isso fosse uma disputa de xadrez, ele não estaria pedindo emprestada uma torre: estaria ditando os movimentos do tabuleiro.

Daí que a pergunta política relevante não é a que os comentaristas insistem em formular. Não é quanto JHC precisa de Arthur Lira. A pergunta, formulada com honestidade, inverte o sentido: quanto Lira precisa de JHC para não entrar em uma das disputas ao Senado mais acirradas da história recente de Alagoas como coadjuvante de si mesmo? Quem carrega o candidato mais competitivo ao Governo não compõe uma chapa — lidera-a. Essa é a gramática elementar do poder.

Protagonismo segue força eleitoral. Sempre seguiu. O favorito ao Palácio República dos Palmares não precisa suplicar por espaço numa aliança — é o espaço que os outros disputam ao redor dele. Se JHC dita a liderança da chapa majoritária e tem o porte político para indicar um dos candidatos ao Senado, isso não é capricho de campanha. É consequência natural de quem construiu, tijolo a tijolo, a posição de favorito. Negar esse fato não é humildade. É apenas uma forma de não olhar para o mapa.

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