Há um prazo marcado — 19h de sábado — e, enquanto o relógio não cumpre sua ameaça, o que sobra é a fumaça preta subindo dos bastidores do PSDB e do MDB como se os dois partidos houvessem descoberto, às vésperas do dia 4 de outubro, que a melhor maneira de disputar uma eleição é primeiro disputar entre si.
O conclave prossegue. A palavra é esta mesmo, com todo o peso sacro e vaticano que carrega: conclave, aquele rito de câmaras fechadas e cardeais irredutíveis, inventado para que o Espírito Santo desça sobre os indecisos e aponte o caminho. Pelos sinais visíveis, o Espírito Santo está engarrafado, ou encontrou outro compromisso.
O curioso é que as duas chapas, PSDB e MDB, chegaram a este momento usando a mesma estratégia. Igual roupa, igual discurso, igual receita — como se a distinção entre elas fosse apenas uma questão de etiqueta no paletó. Quando dois adversários são idênticos na estratégia, o que os separa não é a convicção; é a vaidade. E a vaidade é o combustível mais caro e mais ineficiente da política.
A ata prometida para as 18h50 é, conforme informação de um “Tucano de alta plumagem”. A seu modo, um personagem desta história. Não o herói. O herói ninguém ainda sabe dizer quem é — essa é a questão que o conclave existe para resolver. A ata é apenas o papel que terá de dar conta do que as conversas não conseguiram produzir: clareza. Documentos, afinal, costumam chegar quando as palavras se esgotam ou quando ninguém mais confia nas palavras.
Dia 4 de outubro bate à porta. A fumaça, por enquanto, é preta.




