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A incógnita que pesa

Há figuras na política que existem antes mesmo de declarar que existem. Marina Candia é uma delas. Ainda sem registro formal de candidatura, sem palanque confirmado, sem data anunciada, ela já reorganiza alianças, provoca exigências de adversários e habita o pensamento do eleitorado comum — aquele que para um colunista na rua e pergunta, três vezes no mesmo dia, o que afinal vai acontecer.

Essa é uma forma rara de poder. E não se conquista com discurso.

A ex-primeira-dama de Maceió é, na prática, a razão de ser da chapa tucana à Câmara Federal. O PSDB local construiu seu projeto ao redor dela como se constrói uma catedral ao redor de uma relíquia: tire a relíquia e sobra apenas a arquitetura vazia. Sem Marina Candia, a lista de candidatos ao Congresso pelo partido perde substância, perde tração, perde o argumento central. Isso, por si só, já diz muito sobre o estado do PSDB em Alagoas — e sobre o peso específico dela dentro desse quadro.

O que torna o cenário mais intrincado é justamente a variável Senado. Se a decisão for por uma candidatura à Casa Alta, o roteiro se reescreve inteiramente — e a aliança com Arthur Lira, que fez da ausência dela na chapa senatorial uma condição expressa para o entendimento com JHC, desmorona antes de ser firmada. Lira não fez pedido, fez imposição. São coisas diferentes, e quem frequenta os bastidores sabe distinguir o tom.

O calendário, por enquanto, é o único árbitro. Antes de 15 de agosto, data em que as candidaturas precisam de forma, qualquer análise é provisória. Mas o efeito Marina Candia — esse peso gravitacional que ela exerce sobre a geometria eleitoral da cidade mesmo sem se mover — já está em curso. Medi-lo agora seria como tentar pesar a tempestade antes de ela chegar: você sente o ar mudar, ouve o trovão distante, mas os números só aparecem depois.

O que já se pode dizer é que Maceió entrará em agosto com uma incógnita de alto coeficiente. E incógnitas desse porte, em ano eleitoral, não ficam paradas: elas trabalham, silenciosas, nos cálculos de cada candidato que dormiu achando que sabia com quem podia contar.

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