Em política, não existe acordo eterno. Existe interesse bem administrado — e, quando o interesse escorrega, o acordo some como fumaça de cana queimada no vento de outubro.
Os bastidores de Alagoas sussurram, nos últimos dias, algo que os salões do Palácio conhecem bem: a relação entre Marcelo Victor e Renan Filho teria entrado em zona de turbulência. A insatisfação do presidente da Assembleia Legislativa chegou aos ouvidos de aliados próximos, e chegou com força suficiente para perturbar o sono do palácio.
Quem frequenta os corredores do poder sabe que a preocupação dos palacianos raramente é com os inimigos declarados — esses têm endereço conhecido. A angústia real é com o aliado que começa a falar baixo demais. Ou que para de falar.
Acordos políticos, convém lembrar, são construídos sobre expectativas, não sobre pedra. Enquanto cada parte enxerga no pacto a promessa de um amanhã mais generoso, a arquitetura se sustenta. Quando uma das partes passa a calcular que o amanhã está sendo distribuído de forma desigual, a rachadura aparece — primeiro nos bastidores, depois nas urnas.
O que se tem por ora é rumor. Mas rumor, em política, não é simples ventania: é, quase sempre, a antessala do fato. E o fato, quando chega, chega com peso.
Marcelo Victor e Renan Filho. Dois nomes que a cena política alagoana precisará observar com atenção daqui para frente — porque entre eles, ao que tudo indica, o silêncio já começou a falar mais alto do que qualquer declaração pública.




