Chegou o domingo. E com ele, a algazarra ritual que se repete a cada dois anos como se fosse a primeira vez — a abertura da propaganda eleitoral, o disparo do tiro de largada, o momento em que o político brasileiro se convence de que o povo estava esperando exatamente por ele.
Em Alagoas, os candidatos ao governo do estado se apresentaram ao eleitorado cada qual à sua maneira, e nessa apresentação já há, para quem sabe ler, um retrato fiel do que se pode esperar de cada um.
JHC desceu do avião no Zumbi dos Palmares, foi acolhido por aliados e apoiadores e partiu em carreata pelas ruas de Maceió. O gesto é antigo como o próprio Brasil — o chefe que chega, que é recebido com festa, que percorre as ruas para que o povo o veja. Há qualquer coisa de quase monárquica nesse cerimonial, e os brasileiros nunca se cansaram de praticá-lo. Lenilda Luna foi ao Vergel do Lago, ao lado do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas, descendo onde os outros sobem. É outra linguagem, igualmente calculada. Renan Filho, por sua vez, foi a Atalaia participar do lançamento da candidatura de Ceci — município onde ela foi prefeita —, o que diz muito: o ex-senador ainda trabalha a política pelo avesso, construindo fora para chegar dentro.
E Marcio Jambo? Silêncio. Nenhuma ação de campanha divulgada. Pode ser estratégia, pode ser cautela, pode ser simplesmente o imponderável. Mas num domingo de tiros de largada, a ausência fala tanto quanto qualquer carreata.
O que a jornada inaugural revela, no fundo, não é muito diferente do que qualquer eleição anterior já revelou: que a política alagoana tem fôlego, tem personagens e tem palcos distintos — e que nenhum desses candidatos está, exatamente, inventando a roda. Estão apenas rodando.




