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A certeza que virou areia: JHC surpreende e derruba o roteiro de Renan Filho

Até o meio-dia de um sábado comum, Renan Filho vivia num mundo ordenado, quase confortável. Candidatura única ao Palácio República dos Palmares, corredor aberto, palanque em construção. A dobradinha MV-Paulo Dantas cumpria o trabalho de formigueiro — prefeitos, vereadores, deputados estaduais sendo conduzidos, um a um, para a fila dos Calheiros. O mapa fazia sentido. O roteiro estava escrito.

Então JHC surgiu com uma surpresa de tarde de sábado, e o mapa foi rasgado.

Há uma crueldade particular na virada que ninguém antecipou. Não é a derrota em si — é o constrangimento de ter repetido a certeza para todo mundo que apareceu pela frente. Renan Filho garantia, com a convicção de quem leu os astros: JHC vai para o Senado. E repetia. E os aliados anotavam. E o cálculo era construído em cima dessa premissa como se ela fosse pedra, não areia. A política tem esse prazer sádico de desmontar exatamente aquilo que parecia mais sólido.

Agora o senador precisa refazer, às pressas e com os próprios braços, o que a dobradinha vinha fazendo por ele. Atrair o meio político é uma arte que exige tempo, paciência e, sobretudo, promessas — muitas delas, como qualquer veterano sabe, de difícil cumprimento quando chega a hora da conta. O grupo palaciano ainda está ali, mas grupos palacianos têm fronteiras que só o nome do titular pode ultrapassar. E é o titular quem terá agora de cruzar essas fronteiras pessoalmente, porta a porta, aperto de mão a aperto de mão.

O jogo mudou. Não necessariamente para pior — mas mudou. E o político que não sabe recalcular a rota quando o chão se move costuma chegar ao destino errado. Renan Filho tem estrada e tem nome. O que não tem mais é a tranquilidade do corredor aberto. Mãos à obra, como ele mesmo deve estar dizendo neste exato momento para os seus — embora o exato tamanho do trabalho pela frente ainda esteja, para todos, sendo revelado.

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