Há certas formas de combate político que revelam, antes de qualquer coisa, a pobreza intelectual de quem as empunha. Atacar uma adversária não pelo que ela pensa, não pelo que ela faz, não pelo que ela representa — mas pelo acidente geográfico de seu nascimento. É a arma do que não tem argumento. O refugo da disputa.
O Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas foi chamado a dizer o que deveria ser óbvio: que chamar alguém de “alagoana fake que não é nem daqui” não é crítica política. É estigma. É o velho preconceito de origem envolto em papel de embrulho eleitoral, como se a embalagem bastasse para dignificar o conteúdo podre. Não bastou. A Justiça reconheceu a propaganda eleitoral antecipada negativa, condenou as responsáveis ao pagamento de R$ 5 mil cada e determinou a remoção definitiva dos conteúdos, proibindo a veiculação de novos com o mesmo teor.
O episódio toca num nervo brasileiro muito antigo. A origem como insulto. A procedência como desqualificação. Como se a terra onde alguém nasceu fosse capaz de diminuí-la — ou de elevá-la. Nenhum dos dois. A política que se alimenta dessa gramática confessa, sem o perceber, que está em bancarrota de ideias.
Marina enfrenta, portanto, não apenas adversárias políticas, mas um método. E o método é sempre mais revelador do que qualquer conteúdo programático: diz quem realmente está do outro lado, com que instrumentos e com que disposição de jogar. O TRE nomeou isso. Deu-lhe o nome técnico de “estigmatização geográfica”, mas o nome comum é mais direto: mesquinharia.
O processo seguirá agora para o Ministério Público Eleitoral, que avaliará se há matéria para providências além da esfera eleitoral. Pode ser que sim, pode ser que não. O que já não há como desfazer é o registro: numa disputa política em Alagoas, alguém achou que o lugar de origem de uma mulher era argumento suficiente para derrubá-la. A Justiça discordou. E ficou.




