A história, quando ignorada, tem o hábito severo de se repetir — e raramente como comédia.
Há uma eleição gravada na memória política de Alagoas que Renan Filho deveria estudar com a atenção de quem decifra um testamento. Naquela disputa, JL chegou ao embate final carregado de apoios: 94 prefeitos ao lado, 26 deputados estaduais no palanque, dinheiro em abundância. O mapa da força era de general em véspera de batalha ganha. E Téo Vilela, disparando na reta final, lhe tomou a eleição com a tranquilidade de quem colhe o que o adversário plantou sem perceber.
O que JL tinha de sobra era exatamente o que Renan Filho parece ter hoje — a arquitetura de alianças, o inventário de apoios, a geometria do poder municipal e parlamentar. O que faltou a JL, e é aí que o passado cutuca o presente com vara curta, foi a presença. A negociação pessoal, o olho no olho com o prefeito do interior, a ligação feita pelo próprio, sem intermediário, sem secretaria, sem terceirização do afeto político. Prefeito quer senador — não quer o assessor do senador.
Paulo Dantas tem feito esse trabalho. Tem se empenhado. Tem percorrido o corredor estreito das tratativas que consome sola de sapato e vaidade. É o governador que está no campo quando o senador, por ora, observa da arquibancada. Isso tem um preço, e esse preço aparece na hora em que o placar é definido — não antes.
Renan Filho não pode se espelhar em JHC. O governador de hoje vive numa outra dimensão política, de comunicação direta com o eleitorado, num modelo que dispensa boa parte da engenharia tradicional de alianças. Copiar esse manual sem ter o mesmo terreno é como vestir uma armadura que foi forjada para outro corpo.
O senador, dizem os que circulam perto dele, já foi avisado. O risco existe, tem nome e tem precedente. A questão é se o aviso chega antes ou depois do momento em que, como naquela eleição que virou referência sombria na política alagoana, a vantagem escorrega pelos dedos — e com ela, a chance.




