Há candidaturas que existem para vencer. E há candidaturas que existem para depois.
A campanha eleitoral que se desenrola em Alagoas oferece, neste momento, uma das comparações mais reveladoras da temporada: basta observar os vices. Não os cabeças de chapa, com seus palanques e suas promessas em escala industrial — mas os números dois, aqueles que a política em geral empurra para o segundo plano e que, justamente por isso, revelam muito mais sobre o projeto de cada lado do que os discursos dos principais.
Célia Rocha, vice de JHC, faz o que os manuais de campanha raramente conseguem ensinar: ela se move. Descolou-se do palanque central, pegou Marina Cândia pela mão e foi ao interior, onde a política ainda tem cheiro de poeira de estrada. Carrega uma proposta concreta — gabinete itinerante para ouvir o interior, caso a eleição se confirme — e projeta, com isso, a imagem de alguém que não espera o poder chegar, mas vai ao encontro dele. É extrovertida, é visível, é presente. Nas redes sociais, onde a eleição pulsa com mais intensidade do que em qualquer praça pública, ela tem rosto e tem movimento.
Yale Fernandes, vice de Renan Filho, é outro personagem. Introvertido por natureza ou por estratégia — às vezes é difícil distinguir um do outro neste ofício —, aparece pouco nos vídeos, fala menos ainda por conta própria, e exibe uma discreta tentativa de autonomia que, no entanto, não chega a se impor. O esforço de existir sozinho, descolado de Luciano Barbosa, é perceptível; mas perceptível como é perceptível o nó na gravata quando ela não combina com a camisa. Nota-se justamente porque não encaixa com naturalidade.
E aqui está o ponto que a superfície da campanha não diz, mas os bastidores sussurram: Yale não parece estar sendo preparado para disputar o estado. Parece estar sendo preparado para suceder Luciano. São projetos distintos, com ritmos distintos, e que exigem posicionamentos distintos. Quem disputa, aparece. Quem aguarda, se conserva. Não há necessariamente demérito nisso — a paciência também é uma forma de inteligência política. Mas é preciso ser honesto sobre o que se está vendo.
Dois vices, dois espelhos, dois futuros possíveis. A eleição dirá qual projeto prevalece — mas a forma como cada um deles ocupa o espaço desta campanha já entrega, para quem sabe ler, o que cada lado pensa não apenas sobre outubro, mas sobre os anos que vêm depois.




