Renan Filho cobrou quase R$ 900 milhões dos aposentados de Alagoas — e parte do dinheiro foi parar no caixa do Estado
O número é duro. R$ 897 milhões retirados dos contracheques de aposentados e pensionistas de Alagoas, corrigidos pela Selic, ao longo de 16 meses seguidos. Não foi acidente, não foi herança. Foi uma decisão política deliberada de Renan Filho.
A cobrança — uma alíquota de 14% incidente sobre os salários da categoria — foi imposta na segunda gestão do governador. Ele mesmo encaminhou o projeto à Assembleia Legislativa e trabalhou politicamente para garantir a aprovação. O desconto vigorou de abril de 2020 a julho de 2021, só sendo interrompido após forte pressão popular.
Antes dessa medida, a alíquota existia apenas para quem recebia o teto do funcionalismo. Renan Filho ampliou o alcance: a partir daí, todos que recebiam mais de um salário mínimo passaram a contribuir compulsoriamente. Uma ampliação silenciosa que, somada mês a mês, resultou em quase R$ 900 milhões saídos dos bolsos de quem já havia encerrado sua vida laboral.
O destino formal do recurso era o AL Prev, o instituto de previdência do estado. Mas o que os números revelam vai além: a gestão deslocou parte dos valores arrecadados para os cofres do Estado, utilizando-os em despesas gerais, incluindo o custeio da própria máquina pública.
A pergunta que fica suspensa no ar é direta: se o dinheiro era de previdência, por que terminou pagando conta corrente do governo?
O episódio não é detalhe de gestão. É retrato de uma escolha: num momento de pressão fiscal, Renan Filho optou por onerar os aposentados — e depois movimentou parte do que arrecadou para cobrir despesas que nada tinham a ver com previdência. Como diz o matuto: os números não mentem, mesmo quando os discursos tentam.




