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Quem vence e quem espera

A cada quatro anos, o Brasil acorda com feição de primeiro amor. As bandeiras voltam a ondular, as vozes voltam a prometer, e o eleitor — esse personagem de paciência bíblica — volta a depositar nas urnas aquilo que tem de mais íntimo: a esperança.

É um ritual antigo, quase litúrgico na sua repetição. As campanhas chegam e procedem sempre da mesma forma: farejam as feridas, apontam os erros alheios, exibem sonhos embalados como se fossem projetos, vendem o amanhã com a desenvoltura de quem cobra à vista. O povo ouve. Pondera. Escolhe. E renova, mais uma vez, o contrato frágil entre o que deseja e o que lhe é oferecido.

O difícil — e aqui está o nó da questão — é distinguir, no calor da disputa, o aventureiro do estadista, a promessa do plano, o sonho da vida real. Não é tarefa simples. Nunca foi. A política, nesse sentido, exige do cidadão comum um esforço que raramente lhe é reconhecido: o esforço da discernimento.

Aos que venceram, o peso da responsabilidade — esse fardo que a euforia da vitória costuma disfarçar por algumas horas. Aos que não foram eleitos, a observação justa: não eleito não é sinônimo de derrotado. É apenas alguém a quem o calendário ainda não favoreceu. Os projetos permanecem. As convicções, quando genuínas, resistem à contagem dos votos.

A vida segue. E com ela, a esperança — essa senhora teimosa que insiste em aparecer intacta a cada nova eleição, como se nunca tivesse sido antes decepcionada.

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