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Sem dinheiro para pagar salários e previdência, Dantas volta à Assembleia com pedido recorde

Há uma aritmética cruel que toda gestão pública, cedo ou tarde, é obrigada a confessar. Em Alagoas, essa confissão chegou em parcelas — três, para ser exato, todas no mesmo ano eleitoral, todas extraídas às pressas de um governo que aparentemente confundiu o tesouro estadual com um poço sem fundo.

Paulo Dantas foi à Assembleia Legislativa em maio pedir um ajuste no limite de remanejamento orçamentário. Voltou em agosto. Agora está de volta outra vez, e desta vez com a petição mais audaciosa das três: quer dobrar o teto, de 15% para 30% da Lei Orçamentária Anual, transformando em instrumento de rotina aquilo que deveria ser exceção de emergência. A cada ida ao Legislativo, a margem cresce. A cada crescimento de margem, o horizonte fiscal se estreita um pouco mais.

O argumento apresentado pelo Palácio República dos Palmares para justificar o pedido é, ele próprio, um diagnóstico: o dinheiro acabou. Assim, sem rodeios. Se não houver a autorização, dizem, há risco de calote na previdência e na folha de pagamento. Ou seja, o governo alagoano chegou ao segundo semestre do ano sem condições de honrar os compromissos mais elementares do Estado — salário de servidor e aposentadoria de quem já serviu. Não é crise. É capitulação.

Há um fio condutor que liga as três visitas à Assembleia: cada uma foi apresentada como solução definitiva, e nenhuma foi. De 10% a 15%, de 15% a 30% — o que se chama de “remanejamento” é, na prática, a confissão em capítulos de um orçamento que não fechou, gerido com a leveza característica de quem sabe que o calendário eleitoral perdoa mais do que os números. Os credores e os servidores, esses, costumam ter memória mais longa do que as campanhas.

Que a oposição tenha encontrado nessa sequência de idas e vindas um argumento eleitoral fácil é o mínimo que se podia esperar. O prato, de fato, foi servido quentinho. Mas o problema maior não é retórico nem político: é que alguém, em algum momento entre janeiro e julho deste ano, sabendo que o buraco existia, preferiu ampliá-lo a enfrentá-lo. E agora pede à Assembleia que assine o atestado sem exigir diagnóstico.

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