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Após cinco anos, descaso da mineradora Braskem com atingidos pelo afundamento do solo volta à pauta na CMM e ALE/AL

Vereador Galba Netto (MDB) fez indicação coletiva para suspender licenças da Braskem e prisão dos responsáveis por danos, o pedido terá como base relatório produzido por Comissão Especial de Investigação da casa
Maceió, 09 de julho de 2020
Pinheiro – Terra de ninguém. Casa e prédios abodonados no bairro do Pinheiro em Maceió. Alagoas – Brasil.
Foto: ©Ailton Cruz

Cinco anos se passaram desde a tragédia que acometeu os moradores do bairro do Pinheiro e redondezas causada pela mineradora Braskem, o afundamento do solo e rachadura condenaram residências, negócios e a história de diversas famílias que construíram suas vidas naquela região. Atualmente a luta para serem devidamente indenizados pela empresa continua intensa e entrou em pauta nas discussões que relacionam as medidas a serem tomadas.

Um intenso debate tomou conta do plenário da Câmara Municipal de Maceió na semana passada com destaque para o pronunciamento do presidente da casa, vereador Galba Netto (MDB), que em nome do poder legislativo determinou que todas as licenças de funcionamento e operação da empresa sejam suspensas imediatamente e que os responsáveis possam ser punidos com prisão.

“O direito tardio não trás justiça e beira a injustiça. São cinco anos da tragédia com pessoas sem receber suas indenizações. Passou da hora de tomarmos uma decisão mais drástica. Por isso, aproveitando o relatório produzido por esta casa de fazermos  a indicação coletiva para suspender todas as licenças de funcionamento dessa empresa até sejam sanados todos os prejuízos que ela provocou ao povo de Alagoas”, disse Galba.

De acordo com o edil, a casa já realizou seu papel de apuração e espera do andamento de todas as negociações realizadas pela mineradora, porém, muitas famílias que tiveram de deixar suas casas e, consequentemente, suas memórias, sofrem com as pendencias, descaso e desrespeito que partem da Braskem em não cumprir devidamente os acordos ou mesmo tentar fixar acordos que sequer cobrem o ônus causado estas famílias.

Em sua rede social, Galba Netto se pronunciou indignado ao anunciar a medida.

“Na sessão ordinária desta quinta, dia 9, determinei, em nome da @Camara_Maceio, que todas as licenças de funcionamento e operação da Braskem sejam suspensas imediatamente e que os responsáveis possam ser punidos com prisão.

São 5 anos da tragédia com pessoas sem receber suas indenizações. Passou da hora de tomarmos uma decisão mais firme. Com o relatório produzido por esta casa, fazemos uma indicação coletiva para suspender todas as licenças de funcionamento até sejam sanados todos os prejuízos.

Isso já passou do limite do compreensível, e estamos cumprindo nosso papel. Imagine como está a cabeça dos moradores? Suas memórias afetivas e psicológico afetados! Está na hora de punir quem deve ser punido, responsabilizando os culpados”, postou em seu Instagram.

A questão também foi alvo de discussão na ALE durante a sessão ordinária desta terça-feira (14). De acordo com o pronunciamento do deputado Galba Novaes (MDB), a Braskem superestimou a gravidade geológica dos poços de sal-gema e se apropriou de uma área de R$ 40 bilhões de Maceió. “A Braskem, que causou o maior desastre ambiental mundial, durante 5 anos também vem contaminando a sociedade com um marketing forte, fazendo com que as pessoas se apaziguassem com os problemas”, afirmou o parlamentar.

Em suas acusações, o deputado afirmou também que a mineradora comprou “a preço de banana” uma região nobre e, portanto, farão ali um grande loteamento: “Aquilo é nosso, da sociedade, não da empresa, e é uma área com o valor de três anos de orçamento do Estado”, afirmou. Sendo assim, para ele, a Braskem teria superestimado à imprensa a gravidade da situação das minas, para se apossar da estrutura física. “Como sociedade e como governantes, temos que nos manifestar. Após 5 anos, ao invés de fechar as minas de sal, eles priorizam caçambas cheias de barro”, acusou o deputado, com relação ao processo de gentrificação do local.