Nada como um gesto firme para restabelecer autoridade em um cenário político em constante disputa. Foi exatamente isso que aconteceu com o secretário Júnior Leão, peça-chave da articulação política do prefeito JHC. Considerado até pouco tempo atrás um dos homens mais influentes do núcleo duro da administração municipal, Leão vinha sofrendo desgaste visível junto aos vereadores da Câmara Municipal de Maceió. O clima era de enfraquecimento: sua voz já não tinha o mesmo peso nos corredores da Casa de Mário Guimarães, e parte da base demonstrava resistência em seguir suas orientações.
A reviravolta, no entanto, veio em um momento estratégico: a votação dos pedidos de empréstimos que somavam mais de R$ 1 bilhão, travada por sucessivas protelações no Legislativo pouco antes do recesso parlamentar. A urgência do Executivo em aprovar a matéria exigia ação dura e pragmática. Foi aí que o secretário mostrou sua força. Com apoio direto de JHC, adotou uma medida que chamou a atenção de todos: a caneta do prefeito foi usada para exonerar aliados de alguns vereadores que vinham dificultando o andamento da votação.
A mensagem foi clara: quem não estivesse alinhado poderia perder espaço e influência no governo. O recado surtiu efeito imediato. Os vereadores, diante do risco de descontentamento de suas bases, cederam. O projeto bilionário foi finalmente colocado em votação e aprovado, garantindo ao Executivo o fôlego financeiro desejado.
Com o episódio, Júnior Leão não apenas recuperou a confiança de setores que já o davam como enfraquecido, como também demonstrou habilidade em usar instrumentos políticos para reverter cenários adversos. Discreto fora dos holofotes, mas decisivo nas negociações internas, ele conseguiu retomar protagonismo e consolidar sua posição como articulador central do governo JHC. No xadrez político da capital alagoana, o “tapa na mesa” devolveu ao secretário o lugar de destaque que parecia ter perdido.




