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Câmara aprova projeto que amplia blindagem a parlamentares e especialistas apontam risco de “autoproteção institucional”

 

Em uma sessão marcada por discursos inflamados e articulações de bastidores, a Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (16) uma proposta legislativa que impõe novas barreiras a prisões e processos judiciais contra parlamentares. O texto recebeu 344 votos favoráveis e 133 contrários, número suficiente para garantir a vitória da base governista e de setores da oposição que, curiosamente, se uniram em torno da defesa da chamada “imunidade parlamentar”. A matéria segue agora para análise do Senado, onde deve enfrentar resistência de parte da opinião pública, mas já conta com defensores influentes.

O projeto estabelece que deputados e senadores só poderão ser presos em flagrante por crimes considerados inafiançáveis, além de restringir a possibilidade de abertura de processos sem autorização expressa das Casas Legislativas. Na prática, cria um filtro político sobre decisões judiciais, o que, segundo críticos, pode enfraquecer o combate à corrupção e ampliar a sensação de impunidade no Congresso Nacional.

Juristas ouvidos por nossa reportagem afirmam que a proposta tem elementos de “autoproteção institucional” e lembram que o Código Penal define como organização criminosa qualquer grupo estruturado que atue de forma coordenada para obter vantagens ilícitas e assegurar seus integrantes contra a lei. Para analistas, a blindagem excessiva aproxima a lógica da Câmara do funcionamento de entidades que buscam escapar da responsabilização penal.

Parlamentares favoráveis ao projeto argumentam que o texto preserva a independência do Legislativo e evita o que classificam como “abusos do Judiciário”. Já os contrários alertam que se trata de um retrocesso institucional e um golpe contra a sociedade. “Quem paga essa conta é o povo, que já sofre com um sistema político desacreditado e com serviços públicos precarizados”, resumiu um deputado da oposição.

Enquanto a proposta avança para o Senado, cresce a pressão de movimentos sociais, organizações de transparência e cidadãos comuns, que enxergam na medida um mecanismo para perpetuar privilégios em detrimento do interesse público. O desfecho dessa votação poderá redefinir, mais uma vez, os limites entre imunidade parlamentar e impunidade política no Brasil.

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