O segundo leilão de concessão do saneamento básico se findou em Alagoas e mais uma vez o imediatismo do estado em embolsar recursos preteriu as necessidades básicas dos alagoanos. Quem vai segurar a bomba agora são os 61 municípios divididos em dois blocos, bloco B, Agreste e Sertão, e bloco C, Litoral e Zona da Mata, vítimas de mais uma outorga dos serviços de água e esgoto que rendeu ao estado R$ 1,6 bilhões para os primeiro cinco anos, com investimentos totais previstos de R$ 2,6 bilhões a longo prazo.

Um montate alto para nós, meros mortais, mas para investir em cidades pobres e com recursos escassos não passam de mixaria, Os valores quase irrisórios para uma concessão dessa magnitude já começaram a gerar rejeição por parte dos prefeitos integrantes do bloco C, composto por 27 municípios, o mais prejudicado da história. Sob a expectativa, anunciada pela própria Fazenda do estado, de que a outorga renderia no mínimo R$ 1 bilhão apenas para o bloco C, o valor da proposta mais vantajosa não ultrapassou os R$ 430 milhões e entregou a concessão para o Consórcio Mundau, formado por CYMI Saneamento e Participações e Aviva Ambiental.
Municípios como Ibateguara e Colônia Leopoldina, que recebem respectivamente por volta de R$15 milhões e R$ 20 milhões, são bastante prejudicados pelos valores baixos, sem mencionar municípios como Pindoba e Mar Vermelho, que recebem pouco mais de R$ 5 milhões pela concessão. São muitos número e valores, mas todos eles desembocam em uma questão: mais uma vez a população que amarga na pobreza terá mais contas a pagar, enquanto os ricos descansam em sombra e água fresca, nenhuma novidade.
O pobre arca com altas taxas para garantir um recurso que deveria ser direito de todos, arca com a manutenção do mesmo, já que as taxas de esgoto e saneamento vêm embutidas na tarifa, mas aqueles que dão conta de prostituir o sistema lucram absurdamente, em um curto período de tempo e tutelados pela legislação.
Não é necessário ir muito longe para comprender o quanto essas privatizações à torto e à direito são prejudiciais. Em Maceió e região metropolitana vivenciamos a novela da BRK Ambiental e o quanto a população sofre com um serviço meia boca, foram mais de 30 dias de torneiras secas na parte alta da cidade, com direito à protestos de pessoas tomando banho de “cuia” no meio da rua para cobrar a melhoria do serviço, mas o talão chegava pontualmente nas caixas de correios dos moradores, afinal Deus perdoa, os boletos não.
Apesar dos pesares os cofres do estado foram abastecidos, mesmo com o bloqueio de 50% do valor da outorga, que corresponde a R$ 1 bilhão referente à partilha do montante entre as cidades envolvidas no primeiro leilão, concedido através da denúncia do prefeito de Maceió, JHC (PSB) em parceria com o deputado federal Pedro Vilela (PSDB), o deputado estadual Davi Maia (DEM) e do senador Rodrigo Cunha (PSDB), a outra parte já foi embolsada.
A briga desde o começo gira em torno da distribuição deste valor para os municípios que foram aliciados a privatizar sua distribuição hídrica. A novela se repete, desta vez numa escala maior, com 40% da população afetada e a iminência de mais uma briga judicial acirrada, assim como foi a travada pela concessão do serviço a preço de banana, no final, os cofres enchem, a conta chega e o bolso do alagoano esvazia ainda mais.




