Maceió []
Min: Max:
Pesquisar

Preparativos para as eleições 2022 em Alagoas: a pobreza em carisma e o recheio prepotente da influência política



Há uma grande discussão diante do verdadeiro sentido de uma das maiores características de políticos e grandes líderes, o carisma é ainda uma incógnita, especula-se que se trata de uma característica inata, que não pode ser “desbloqueada”, o indivíduo nasce com ela e apenas a aperfeiçoa.
Como dizia o apóstolo São Paulo, em suas cartas escritas por volta de 50 d.C, o carisma (em grego “charis” – graça) significava “o dom da graça de Deus” ou o “dom espiritual”. No caso de alguns políticos, a graça passa longe do carisma, assim como Paulo Dantas caiu nas graças do presidente da ALE/AL, Marcelo Victor, e desponta como o preferido para tampar o buraco que RF deixará ao partir para a corrida pelo senado.
Na sucessão indireta de RF por Paulo Dantas, finalmente Marcelo Victor gozará de uma vitória depois de algumas tentativas frustradas, a mais recente com Davi Davino Filho, que foi o mais perto do gostinho doce do triunfo que o presidente da ALE conseguiu sentir, a especulação se dá no porque ele deixou de lado o garoto prodígio e apostou no ex-prefeito de Batalha para uma eleição majoritária mais ampla que a de 2020, aparentemente Paulo Dantas oferece subserviência e isso é tudo que Marcelo precisa.
Já não se pode dizer o mesmo caso Paulo Dantas se jogue em uma disputa com a participação popular. Existe preparo, marketing, imagem, mas não existe o tão necessário carisma, ou benção, ou graça divina que convença o povo a passar a bola do estado para o deputado estadual que foi eleito com cerca de 30 mil votos. Fica só no imaginário de Marcelo Victor mesmo, que desta vez pode experimentar uma frustração multiplicada por 102 em uma eleição estadual.
Agora no frigir dos ovos RF aproveita os cofres públicos engordados pela arrecadação para desenvolver conversas políticas em Miami e em São Paulo, a preparação do terreno para as eleições do ano que vem estão saindo mais caras do que o esperado, ele tem reunido sua comitiva a prefeitos, ex-prefeitos e assessores na tentativa de atrair o máximo possível de aliados e se enfiar no legislativo, rumo à Brasília, mas sem antes garantir a tour sob a justificativa de eventos oficiais, com direito a tietagem e tudo.
Renan Calheiros Filho tem sido abordado nos aeroportos por pessoas que acompanham de longe sua gestão e, baseado na sua mídia competente, se deleitam com a ideia de que Alagoas está sendo bem gerida, afinal, acompanhar o estado por fotos bem editadas e vídeos das belíssimas praias gravados com drones e câmeras de ultima geração causa aquela catarse cinematográfica que experimentamos quando assistimos um filme muito bem produzido, mas não é a realidade, quem mora por aqui sabe muito bem que Alagoas não se resume ao cartão postal Maceió, que está indo muito bem, obrigada, mas é apenas a capital.
Chapa pura de Arthur Lira não se sustentaria
O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP), ainda tem um nome de peso em certas movimentações do xadrez político alagoano, mas uma chapa pura indicada por ele não se sustentaria nesse momento. A prova? O deputado federal não conseguiu eleger seu pai ao senado, Biu de Lira, atual prefeito do município de Barra de São Miguel, perdeu a cadeira do legislativo para Rodrigo Cunha, que venceu de lavada as eleições com mais de um milhão de votos.
Isso mais que comprova que só a vontade dos grandes políticos não elege ninguém, apesar de Paulo Dantas ter conseguido o fenômeno de ser apoiado por opositores políticos (Renan Calheiros Filho e Arthur Lira) simultaneamente, a aposta só é válida caso Paulo Dantas assuma a vaga de Renan como tampão, mas Arthur Lira insiste em apoiar sua candidatura para concorrer ao governo nas urnas. Bem, o poder subiu à cabeça e Arthur Lira conta com seu peso político na confiança de que teria todas as cartas na manga para a eleição de um político com quase nenhum apelo popular atualmente.
A arrogância política substituiu o carisma que os líderes deveriam carregar e aprimorar para por sua cara nas urnas e à tapa em campanhas que gerariam ao menos um resultado satisfatório, influência política não quer dizer necessariamente apelo popular, principalmente quando se trata de eleições para o executivo.