
Os Calheiros nunca jogam com apenas um plano, após notícias sobre o Pacto de Miami que teoricamente selaria uma parceria entre Renan Calheiros Filho (MDB) e o presidente da ALE/AL, Marcelo Victor, para lançar Paulo Dantas como sucessor de RF no executivo estadual, pudemos observar pela primeira vez uma parceria improvável dos Calheiros com Arthur Lira, presidente da Câmara dos Deputados, que apesar de já ter declarado a impossibilidade de uma aliança, apoia Paulo Dantas na disputa pelo Governo de Alagoas e indiretamente surge ai uma espécie de união com um objetivo em comum, derrotar Rodrigo Cunha, que segundo pesquisas recentes aparece liderando as intenções de voto para o governo em 2022.
Mas surge aí mais um personagem que vem seguindo na retaguarda de RF, literalmente, Renato Filho, prefeito do município de Pilar, e político que tem ganhado grande vulto em Alagoas, tem acompanhado o atual governador em sua turnê pelos municípios, a justificativa dada é de que o giro pelo estado serve para ouvir a população e apresentar as obras que o governo tem realizado por Alagoas, mas no oculto sabemos bem a intenção real da caravana, apresentar aos alagoanos os “planos” de RF para sua sucessão no Palácio dos Palmares. Renato Filho surge como um plano B caso o Pacto de Miami não se concretize, o objetivo é lança-lo como bucha de canhão, sem intenção de competitividade concreta, mas a vitória se daria em uma possível derrota de Rodrigo Cunha nas urnas.
Em muitas pesquisas recentes Rodrigo Cunha tem liderado, mas a surpresa da ultima pesquisa vem com Renato Filho sucedendo o atual senador na corrida. A pesquisa em questão foi realizada pelo Paraná Pesquisa em 34 municípios, entre os dias 16 a 21 de dezembro e ouviu 1520 eleitores. Em três cenários Renato Filho ocupa o segundo lugar, oscilando entre 15% e 17% das intenções de voto, a pesquisa foi realizada utilizando o método de amostragem estratificada proporcional, ou seja, na teoria, com maior densidade populacional.
Para um político profissional RF anda mal das pernas, de alguém que tem berço político, espera-se certa naturalidade para desenvolver alianças, mas neste caso, aparentemente Renan Calheiros Filhos dormiu na aula. Agora ele se vê encurralado, mesmo declarando apoio incondicional ao amigo de infância, Paulo Dantas, em qualquer cenário no qual ele venha intentar o cargo de chefe do executivo estadual, a ALE ainda domina sobre as decisões de RF. O fino pavimento colocado sobre a areia movediça que foram as duas gestões do governador não serve para sustentar suas decisões, a fama de gestor pulso firme arrisca afundar sob as rachaduras do assoalho rachado que é a tentativa de articulação política de Renan.
Agora Renato Filho, antes preterido, surge como o plano B, a estratégia de pegar ambos pelas mãos e sair saracoteando por Alagoas causou aquela sensação de confusão corriqueira no eleitor e em quem acompanha o desenrolar dos diálogos para as definições de chapas, federações e candidaturas para o ano que vem,acompanhada da eterna novela da indecisão de RF em se candidatar ou não à única vaga que resta no senado federal. É uma gangorra imensa, feita de concreto e surpreendentemente cheia de lugares. De um lado temos Marcelo Victor cravando os pés na areia movediça e segurando Renan Filho, Paulo Dantas e Renato filho na outra ponta, enquanto eles balançam os pés nas alturas agoniados por uma decisão. Essa é a imagem literal que surge quando pensamos nessa aliança forjada ante fracassos administrativos e imposições.




