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O lamentável saldo negativo que o ex-governador Renan Filho deixou para o seu sucessor

“Há um pseudoequilíbrio fiscal. A gente tem tido esse alarde de que o governo fez um equilíbrio fiscal. Até pode, mas à custa do sofrimento imposto aos servidores e do corte dos serviços públicos, como o déficit do ensino, com a divulgação agora há pouco do alto índice de analfabetismo, que chega a 17%”.

A declaração é da então presidente do Sindicato do Fisco de Alagoas, Lúcia Beltrão, concedida no dia 17 de julho de 2019 e registrada pela Gazeta, em frente à sede da Sefaz.

Naquela ocasião, as entidades dos servidores públicos advertiram o governador Renan Filho para o perigo do endividamento, ao tempo em que realizavam a defesa da prestação de serviços de qualidade à população.

O Ato marcou a passagem dos 22 anos da crise de julho de 1997, quando o Estado acumulou dívida de toda ordem, inclusive atrasando em até nove meses o pagamento dos vencimentos do funcionalismo. Desfecho: tiroteio à porta do Poder Legislativo, com afastamento do governador.

Há três anos, o governo do Estado optou pelo silêncio quando foi instado a explicar a escalada de pedidos de empréstimos e suas consequências para o futuro do Estado, como também alertou o economista e professor José Menezes, do Núcleo Alagoano pela Auditoria Cidadã da Dívida Pública.

Na semana em que Renan se tornou ex-governador do Estado, em meio a uma agenda eleitoreira, travestida de atos oficiais, a mesma organização da sociedade que defende auditagem transparente da dívida alagoana denunciou o fato segundo o qual o próximo governador vai herdar uma pesada dívida pública, superior a R$ 11 bilhões, sendo que 70% do montante é crédito em favor da União.

O novo governo também receberá como herança a execução de um Orçamento que privilegia a célebre “operação areia cimento e pedra”. Esta possui um seleto “clube” de empreiteiros como executores de um pacote de obras milionárias, e que se encontram sob suspeição.

A Gazeta já identificou o desmonte progressivo de áreas importantes para o desenvolvimento do Estado. A Secretaria de Agricultura, por exemplo, vem sendo desprestigiada continuamente, desde 2015, não obstante o clamor de todo o setor público agrícola alagoano, a começar pelos que fazem a agricultura familiar.

Se houve sensibilidade com o “clube”, o mesmo não se pode dizer em relação às áreas desenvolvimento humano e inclusão social. Basta mencionar o saldo negativo de empregos e a legião de alagoanos inseridos no lamentável quadro de extrema pobreza, suficientes para deprimir a condição do Estado nos cenários regional e nacional.

Por Gazetaweb 

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