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O silêncio estratégico de JHC no tabuleiro político rumo a 2026

Desde que começaram a circular, nos bastidores de Brasília, rumores sobre um suposto “acordão” político envolvendo forças tradicionais do poder — uma costura que, segundo interlocutores, reuniria interesses de diferentes grupos regionais e nacionais — o tema passou a dominar conversas reservadas, notas de rodapé e análises em off. Políticos falaram, aliados sopraram versões, adversários trataram de inflar suspeitas. Todos, exceto um personagem central nesse tabuleiro: o prefeito de Maceió, JHC.

O chamado “acordão de Brasília”, que muitos garantem nunca ter se concretizado, mas que ainda assim ganhou vida própria no imaginário político, foi atribuído a articulações envolvendo nomes de peso como Arthur Lira e Renan Calheiros. Ambos, em maior ou menor grau, deixaram escapar posicionamentos, interpretações ou negativas. Outros atores também trataram de se manifestar, seja para negar, seja para confundir ainda mais o cenário. O silêncio, no entanto, permaneceu absoluto por parte de JHC.

Na política, silêncio raramente é ausência de estratégia. Ao evitar entrevistas incisivas e se manter distante dos jornalistas mais insistentes, o prefeito de Maceió adota uma postura que chama atenção justamente por destoar do comportamento dos demais. Enquanto aliados e adversários falam por ele, JHC parece confortável em deixar que versões se multipliquem sem oferecer confirmação, desmentido ou sequer uma pista clara sobre seus próximos passos.

A essa altura, o que já foi dito por Lira, Calheiros e outros envolvidos pouco acrescenta ao debate público se não houver uma posição explícita do prefeito. É dele, afinal, que se espera a palavra final sobre aderir, rejeitar ou simplesmente ignorar qualquer tentativa de pacto político para 2026. Ao não se expor, JHC faz de conta que o assunto não lhe diz respeito — ao menos oficialmente.

O resultado é uma jogada curiosa e, até aqui, eficiente. Em tempos políticos marcados por excesso de declarações, vazamentos e disputas narrativas, o prefeito opta pelo caminho inverso: todos falam sobre ele, analisam seus movimentos e projetam cenários futuros, enquanto ele permanece em silêncio calculado. Resta saber até quando essa estratégia será sustentável e se, mais cedo ou mais tarde, JHC será obrigado a sair da defensiva e dizer, claramente, o que pretende fazer quando 2026 deixar de ser apenas uma data distante no calendário político.