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Operação Estágio IV revela esquema milionário na Saúde de Alagoas e leva à Justiça ao afastamento do secretário por 180 dias

A Polícia Federal deflagrou, nesta terça-feira, a Operação Estágio IV, trazendo à tona um suposto esquema milionário de desvio de recursos públicos da saúde e lavagem de dinheiro que teria operado de forma estruturada em Alagoas. A investigação, conduzida com apoio de órgãos de controle federais, aponta para um modelo de corrupção que se aproveitou de contratos emergenciais e da fragilidade dos mecanismos de fiscalização em um dos setores mais sensíveis da administração pública: a saúde.

Entre os alvos da operação está uma empresa investigada que tem como sócio Gustavo Pontes de Miranda, então secretário de Estado da Saúde. Ele foi afastado do cargo por determinação judicial, no âmbito de medidas cautelares expedidas pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5). Diferentemente do que tentou sustentar a comunicação oficial do governo, o afastamento não foi uma iniciativa do governador Paulo Dantas, mas uma imposição da Justiça, com prazo inicial de 180 dias.

De acordo com a Polícia Federal, o esquema investigado envolve contratos emergenciais firmados pela Secretaria de Saúde de Alagoas (Sesau) entre os anos de 2023 e 2025. As contratações diretas, realizadas sem o devido processo licitatório, teriam alcançado valores próximos de R$ 100 milhões. Para os investigadores, há indícios consistentes de que parte dessas contratações serviu para favorecer empresas específicas, algumas delas sem capacidade técnica ou operacional para prestar os serviços contratados.

Outro ponto central da apuração diz respeito a mais de R$ 18 milhões em ressarcimentos do Sistema Único de Saúde (SUS) referentes a procedimentos médicos e sessões de fisioterapia que, segundo auditorias e cruzamento de dados, não teriam sido efetivamente realizados. A suspeita é de que houve cobrança por atendimentos fictícios ou inflados, ampliando artificialmente os repasses federais.

A investigação também rastreou o caminho do dinheiro após o desvio. Segundo a PF, parte dos recursos foi lavada por meio da aquisição de imóveis de alto valor, registrados em nome de terceiros, numa tentativa de ocultar a origem ilícita dos valores. Além disso, foram identificados gastos elevados com viagens internacionais e despesas pessoais incompatíveis com a renda formal declarada pelos investigados.

A Operação Estágio IV cumpriu 38 mandados de busca e apreensão em Alagoas, Pernambuco e no Distrito Federal. A ação mobilizou mais de 170 policiais federais e contou com o apoio da Controladoria-Geral da União (CGU), da Receita Federal e do Departamento Nacional de Auditoria do SUS, reforçando o peso das suspeitas e a complexidade do esquema.

Os investigados poderão responder por crimes como corrupção, organização criminosa, lavagem de dinheiro e desvio de recursos públicos da saúde. Se confirmadas, as irregularidades revelam não apenas um prejuízo milionário aos cofres públicos, mas um impacto direto sobre a população que depende de um sistema de saúde já marcado por carências históricas.

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