No rastro da Polícia Federal, a Operação Estágio IV avança sobre o que pode ser um dos maiores esquemas de corrupção já investigados na Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas. Documentos do inquérito revelam que a PF solicitou à Justiça o bloqueio de ao menos 11 imóveis e sete veículos de luxo, supostamente adquiridos com recursos públicos desviados entre 2023 e 2025. O pedido inclui ainda a restrição patrimonial de bens espalhados por Alagoas e pelo Distrito Federal, evidenciando o alcance interestadual das suspeitas.
Segundo a investigação, os bens teriam sido comprados a partir de contratos emergenciais firmados pela Sesau nos últimos anos — mecanismo que, de acordo com a PF, foi explorado para acelerar pagamentos, inflar valores e favorecer empresas de fachada. O roteiro é conhecido em investigações desse tipo: dispensa de licitação sob o argumento de urgência, contratos pouco transparentes, medições questionáveis e, ao final, patrimônio incompatível com a renda declarada dos investigados.
A Polícia Federal chegou a requerer a prisão preventiva de sete alvos, mas o Judiciário optou por substituir a medida por cautelares diversas, como monitoramento, restrições de contato e outras obrigações processuais. Embora o inquérito detalhe a lista de bens cujo bloqueio foi solicitado, não foi possível confirmar, até o momento, se todos os pedidos foram integralmente acolhidos pela Justiça.
Entre os imóveis listados constam residências e casas de alto padrão em Brasília; apartamento no bairro Cruz das Almas, adquirido em dezembro de 2024; sítios e áreas desmembradas em Porto de Pedras, Tatuamunha e Japaratinga; além de uma residência na Gruta de Lourdes, comprada em junho de 2025 por R$ 1,1 milhão. Há ainda sala comercial na Avenida Álvaro Otacilio, na Jatiúca, casa na Avenida Brasil, no Poço, e lotes em Sobradinho II e no Guará, no Distrito Federal.
A frota atribuída aos investigados chama atenção pelo padrão: BMW adquirida em 2025, Dodge RAM Classic Laramie (2023), Land Rover (2024), duas Toyota Hilux SW4 (2023 e 2025), uma Toyota Hilux (2025) e um GWM ORA 03 GT BEV63 (2024). Para os investigadores, o conjunto reforça a tese de enriquecimento rápido e incompatível com rendimentos formais.
A Operação Estágio IV segue em curso, com análise de quebras de sigilo, rastreamento financeiro e cooperação entre órgãos de controle. Nos bastidores, a avaliação é de que o bloqueio patrimonial é apenas o primeiro passo para tentar recuperar recursos públicos e desarticular um esquema que, se confirmado, expõe fragilidades graves na gestão da saúde estadual e no uso reiterado de contratos emergenciais como porta de entrada para desvios milionários.




