Em meio a uma investigação que expõe fragilidades graves nos mecanismos de controle do Estado, o Ministério dos Transportes mantém sob sua estrutura um personagem central de um esquema que, segundo a Polícia Federal, drenou recursos de aposentados e pensionistas do INSS. Trata-se de Marcos de Brito Campos Júnior, diretor de Finanças do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), órgão vinculado à pasta comandada pelo ministro Renan Filho.
Marcos foi alvo da mais recente fase da Operação Sem Desconto, deflagrada em 18 de dezembro de 2025 pela Polícia Federal. A Justiça determinou seu afastamento cautelar das funções públicas e impôs o uso de tornozeleira eletrônica — medida reservada a casos em que há indícios robustos de participação em crimes de maior gravidade. Ainda assim, ele segue despachando como chefe financeiro do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, órgão responsável por um orçamento estimado em R$ 11 bilhões neste ano.
A permanência de Marcos no cargo foi confirmada pelo próprio gabinete do diretor, procurado pela coluna da jornalista Andreza Matais. Documentos oficiais revelam que despachos foram assinados por ele mesmo após a deflagração da operação e a imposição das medidas judiciais. O posto ocupado rende salário mensal de aproximadamente R$ 23 mil e confere poder decisório relevante sobre contratos, pagamentos e planejamento financeiro da autarquia.
Segundo a investigação, Marcos teria atuado como peça-chave ao lado de Antonio Carlos Camilo Antunes, o chamado “Careca do INSS”, durante o período em que trabalhou como superintendente do Instituto Nacional do Seguro Social no Nordeste. Para a Polícia Federal, ele integra o núcleo central da engrenagem criminosa que viabilizou descontos associativos fraudulentos diretamente na folha de pagamento de aposentados, sem consentimento dos beneficiários.
As apurações apontam ainda que passagens aéreas emitidas em nome de Marcos teriam sido custeadas por uma empresa de fachada ligada ao operador do esquema. Mensagens interceptadas indicariam o recebimento de ao menos R$ 20 mil como pagamento pelos “serviços” prestados, valor que reforça a suspeita de contrapartida financeira ilícita.
O caso lança luz sobre uma contradição inquietante: mesmo sob monitoramento eletrônico e acusado de participar de um esquema que vitimou aposentados, Marcos de Brito Campos Júnior continua a ocupar um cargo estratégico na administração federal. A situação levanta questionamentos sobre os critérios de permanência, a efetividade das decisões judiciais e a responsabilidade política do ministério ao manter, no coração financeiro do DNIT, um servidor sob suspeita grave.




