O Estado de Alagoas iniciou 2026 no vermelho. Dados do Relatório de Gestão Fiscal (RGF) do último quadrimestre de 2025, encaminhados ao Tesouro Nacional no fim de janeiro, revelam que o caixa com recursos não vinculados — aqueles que medem a real capacidade de pagamento imediato — fechou negativo. Na prática, o governo não dispõe de saldo suficiente para quitar compromissos herdados de 2025 e, ao mesmo tempo, assumir novas despesas.
O indicador coloca Alagoas entre os sete entes federativos que começaram o ano no chamado “cheque especial”, ao lado de Minas Gerais, Rio Grande do Norte, Distrito Federal, Rio Grande do Sul, Tocantins e Acre. O dado acende alerta adicional por se tratar do último ano das atuais gestões estaduais, período em que a legislação impõe freios mais rígidos.
A Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) proíbe governadores de contrair despesas que não possam ser integralmente pagas até o fim do mandato ou que não tenham lastro financeiro para o exercício seguinte. Em termos objetivos, isso limita a margem para expansão de investimentos, criação de programas e assinatura de novos contratos sem garantia de cobertura orçamentária.
No ranking negativo, Minas Gerais lidera com R$ 11,3 bilhões de indisponibilidade. O Rio Grande do Norte aparece na sequência, com R$ 3 bilhões negativos e ainda acima do limite de gastos com pessoal previsto na LRF. O Distrito Federal registra saldo negativo de R$ 876,6 milhões. Rio Grande do Sul, Tocantins, Acre e Alagoas também apresentam indisponibilidade de recursos não vinculados, embora nem todos tenham detalhado publicamente os valores.
Para Alagoas, o impacto é direto em 2026. Com eleições no horizonte e fiscalização mais rigorosa por parte do Tesouro Nacional e dos órgãos de controle, a gestão do governador Paulo Dantas (MDB) terá de operar sob disciplina fiscal redobrada. O risco de deixar obrigações para a próxima administração tende a ser monitorado de perto, num cenário em que cada despesa passa a ter peso político e contábil.




