Mesmo fora oficialmente do comando da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), Gustavo Pontes permanece como figura central nas decisões estratégicas da pasta. Relatos colhidos junto a servidores e integrantes da gestão apontam que o ex-secretário mantém influência ativa nos bastidores, participando de definições consideradas sensíveis, o que tem provocado desconforto interno e dúvidas sobre a real autonomia da atual direção.
Pontes deixou o cargo sob pressão política e administrativa, mas, segundo fontes ouvidas sob reserva, segue em interlocução constante com membros da cúpula da secretaria. Nomeações, exonerações e até tratativas relacionadas a contratos estariam passando por sua avaliação prévia — ainda que de maneira informal e sem registro oficial.
A prática, se confirmada, levanta questionamentos sobre a transparência e a governança na saúde estadual. Especialistas em administração pública alertam que a manutenção de centros paralelos de decisão pode fragilizar a cadeia de comando, gerar insegurança técnica e comprometer a implementação de novas diretrizes.
Nos corredores da secretaria, o ambiente é de cautela. Servidores relatam incerteza quanto à definição clara de responsabilidades, sobretudo em áreas estratégicas. Há o temor de que decisões tomadas fora do organograma formal dificultem a cobrança de resultados e a responsabilização administrativa.
Procurada, a assessoria da Sesau afirmou, em nota, que todas as decisões obedecem a critérios técnicos e legais e negou qualquer tipo de interferência externa na condução da pasta.
Aliados de Gustavo Pontes, por sua vez, sustentam que a experiência acumulada pelo ex-secretário justifica consultas informais da equipe atual, classificadas por eles como naturais em processos de transição e continuidade administrativa.
Enquanto a versão oficial fala em normalidade institucional, o comentário que circula internamente é outro: mesmo distante da cadeira principal, Pontes ainda teria papel relevante nas engrenagens da saúde estadual.




