O Fórum Alagoano em Defesa do SUS tornou pública, nesta terça-feira (10), uma nota de repúdio exigindo apuração rigorosa e punição exemplar aos responsáveis por um suposto esquema de corrupção na saúde estadual. O documento tem como base as revelações da Operação Estágio IV, conduzida pela Polícia Federal, que investiga contratos firmados pela Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas (Sesau) entre 2023 e 2025.
Segundo o manifesto, contratos emergenciais celebrados com as empresas CHMMED e NG Engenharia concentram quase R$ 100 milhões em irregularidades. Para o Fórum, trata-se de recursos que poderiam ter sido aplicados diretamente na ampliação de leitos, aquisição de medicamentos e melhoria do atendimento hospitalar.
As investigações também apontam para o possível desvio de outros R$ 118 milhões por meio do pagamento de procedimentos médicos que, na prática, não teriam sido realizados. Parte do dinheiro, conforme apurações, teria sido destinada à aquisição de bens de luxo, incluindo uma pousada em Porto de Pedras e viagens internacionais.
A nota menciona ainda suspeitas de favorecimento envolvendo o ex-secretário de Saúde Gustavo Pontes de Miranda e sua esposa, Luciana Pontes, além de indícios da existência de “funcionários fantasmas” nomeados por influência política. De acordo com o Fórum, o inquérito aponta que essas pessoas recebiam remuneração sem exercer atividades nos órgãos públicos.
Para a entidade, o impacto vai além dos números. Cerca de 92% da população alagoana depende exclusivamente do Sistema Único de Saúde. “Cada centavo desviado representa menos atendimento, mais filas e agravamento de doenças”, destaca o texto.
Encerrando o manifesto com o lema “O SUS é nosso, ninguém tira da gente!”, o Fórum exige ressarcimento integral aos cofres públicos e o devido processo legal contra os envolvidos.




