Mesmo sustentado pelo apoio declarado de cerca de 80% dos prefeitos alagoanos, o senador Renan Calheiros (MDB) entra no ciclo eleitoral de 2026 sob um cenário considerado de alto risco por analistas políticos. Avaliações reservadas indicam a possibilidade concreta de o parlamentar não conseguir renovar o mandato, o que o deixaria, pela primeira vez em décadas, fora do Congresso Nacional.
O alerta se intensifica diante do formato da eleição de 2026, quando o Senado Federal renovará dois terços de suas cadeiras. Cada estado elegerá dois senadores, ampliando o número de candidatos competitivos e tornando a disputa em Alagoas ainda mais fragmentada e imprevisível.
Pesquisa do instituto Paraná Pesquisas, divulgada em outubro de 2025, aponta Renan Calheiros como o segundo nome mais rejeitado do estado, com índice de 26,9%. O levantamento ouviu 1.504 eleitores em 62 municípios entre os dias 17 e 21 de outubro, com nível de confiança de 95%. O dado reforça uma fragilidade estrutural: a rejeição concentrada na região metropolitana e em cidades com maior presença de formadores de opinião.
Embora conte com acordos firmados no interior, aliados admitem, nos bastidores, que esse apoio institucional não se converte automaticamente em votos. Prefeitos não controlam o eleitorado como no passado, especialmente em um ambiente de redes sociais, desgaste de lideranças tradicionais e voto cada vez mais volátil.
Há ainda um fator simbólico difícil de mensurar, mas recorrente nas análises qualitativas: o sentimento difuso de renovação política. Para parte expressiva da população, Renan Calheiros segue associado ao coronelismo, às oligarquias e à concentração de poder das grandes famílias políticas, frequentemente responsabilizadas pelos baixos indicadores sociais e econômicos do estado.
Além disso, o tabuleiro eleitoral tende a ficar mais congestionado. Nomes como Arthur Lira, Alfredo Gaspar, Marina Cândia e Davi Davino Filho surgem como potenciais candidatos, capazes de dividir votos e reduzir as margens de segurança de quem busca a reeleição. Em um cenário de alta rejeição e múltiplas candidaturas fortes, a permanência de Renan Calheiros no Senado deixou de ser uma certeza.




