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Sem Constrangimento: a recondução do secretário dos R$ 100 milhões escancara a blindagem no governo

A decisão do governador Paulo Dantas de reconduzir ao cargo o secretário ligado à operação dos R$ 100 milhões não passou despercebida nos bastidores políticos. Ao contrário: acendeu alertas, provocou desconforto interno e reforçou a percepção de que, no núcleo do poder, constrangimento é artigo em falta.

A operação que investiga a movimentação milionária de recursos públicos — cifra que ultrapassa os R$ 100 milhões — lançou sombras sobre a gestão e colocou sob escrutínio nomes estratégicos da administração estadual. Ainda assim, em vez de optar pelo afastamento cautelar até o esclarecimento dos fatos, o governador escolheu o caminho oposto: reconduziu o auxiliar ao posto, sinalizando confiança política irrestrita.

Nos corredores do Palácio, a leitura é direta. A permanência do secretário não se sustenta apenas por critérios técnicos, mas por uma engrenagem política que prioriza fidelidade e controle. Para aliados, trata-se de um gesto de estabilidade administrativa. Para críticos, é a consolidação de uma blindagem que ignora o desgaste público.

Especialistas em gestão pública ouvidos reservadamente avaliam que, em contextos de investigação envolvendo cifras expressivas, a prática mais prudente costuma ser o afastamento temporário, como forma de preservar a apuração e a imagem institucional. A recondução, nesse cenário, acaba sendo interpretada como desafio aberto às críticas.

O episódio também revela uma característica recorrente do governo: decisões tomadas sob cálculo político, mesmo diante de repercussão negativa. Ao manter o secretário, Paulo Dantas assume o ônus da escolha e concentra em si a responsabilidade pelo desdobramento do caso.

No fim das contas, a mensagem transmitida é clara. Em meio a investigações que envolvem milhões de reais, o governo optou por demonstrar confiança absoluta em seu quadro — ainda que isso custe capital político. Constrangimento? Ao que tudo indica, não faz parte da equação.

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