Dois dias após o retorno de Gustavo Pontes de Miranda ao comando da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), o governador Paulo Dantas autorizou a abertura de crédito suplementar de R$ 11,4 milhões para a pasta. O recurso foi oficializado por meio do decreto nº 107.106 e destinado ao Fundo Estadual de Saúde.
A liberação do montante ocorre em um momento sensível para a gestão da saúde estadual. Gustavo Miranda reassumiu o cargo depois de obter habeas corpus concedido pelo ministro Antonio Saldanha Palheiro, do Superior Tribunal de Justiça (STJ). O secretário havia sido afastado por decisão da Justiça Federal no âmbito de uma investigação que apura supostos desvios de recursos do Sistema Único de Saúde (SUS).
A decisão do STJ permitiu o retorno imediato do gestor à função, abrindo caminho para sua recondução ao comando da Sesau — movimento que gerou forte repercussão política no estado, diante da investigação ainda em curso.
Agora, com Miranda novamente à frente da pasta, o governo estadual autorizou a suplementação orçamentária milionária para a área da saúde. O crédito adicional reforça o caixa do Fundo Estadual de Saúde, mecanismo utilizado para financiar despesas e ações do setor.
Embora decretos de suplementação sejam instrumentos administrativos comuns na gestão pública, a coincidência temporal entre a volta do secretário investigado e a liberação do novo aporte financeiro chama atenção nos bastidores políticos e administrativos.
A investigação conduzida pela Polícia Federal e pela Justiça Federal busca esclarecer possíveis irregularidades no uso de recursos federais destinados ao SUS em Alagoas. Enquanto o caso segue em tramitação, Gustavo Miranda permanece no cargo por força da decisão do STJ.
Nos corredores do poder em Alagoas, a sequência dos fatos — retorno ao cargo e reforço imediato de recursos para a pasta — alimenta questionamentos sobre o momento e a condução das decisões administrativas em meio a um cenário ainda marcado por suspeitas e investigação em andamento




