Táxi Aéreo Piracicaba recebeu mais de R$ 9,9 milhões do Estado neste ano; empresa foi citada em investigação da PF sobre lavagem de dinheiro ligada ao crime organizado_
O Governo de Alagoas desembolsou, apenas em 2026, mais de R$ 9,9 milhões para a empresa Táxi Aéreo Piracicaba Ltda. (TAP), companhia que ganhou notoriedade nacional após ser citada em investigações da Polícia Federal por suposta ligação com integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC).
Dados do Portal da Transparência do Governo de Alagoas mostram que o Departamento Estadual de Aviação (DEA) efetuou pagamentos que somam R$ 9.952.636,06 à empresa neste ano. Do total, R$ 3.457.356,06 foram destinados à categoria de “locação de bens móveis”, enquanto outros R$ 6.495.280,00 aparecem registrados como “locação de máquinas e equipamentos DEA”.
O caso ganha repercussão em meio ao avanço de investigações sobre empresários apontados como operadores de um suposto esquema bilionário de fraudes fiscais, lavagem de dinheiro e infiltração do crime organizado no setor de combustíveis, com possível ligação ao PCC.
*Empresa foi citada em investigação da PF*
A Táxi Aéreo Piracicaba entrou no radar das autoridades após depoimentos prestados à Polícia Federal durante a Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto de 2025 pelo Ministério Público de São Paulo contra a atuação do PCC no mercado de combustíveis.
Segundo as investigações, aeronaves operadas pela empresa teriam sido utilizadas por Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como “Beto Louco”, e Mohamad Hussein Mourad, apelidado de “Primo”, ambos apontados como alvos centrais do esquema.
Em depoimento à PF, o piloto Mauro Caputti Mattosinho afirmou ter transportado, em aeronaves ligadas à empresa, pessoas investigadas por participação em esquemas de lavagem de dinheiro associados ao crime organizado.
As apurações também apontam que as aeronaves utilizadas pela companhia pertenceriam a pessoas investigadas na ofensiva federal.
*Delação premiada e operação bilionária*
O empresário “Beto Louco” firmou acordo de delação premiada com o Ministério Público da Bahia, após se tornar alvo da Operação Khalas, que investiga um suposto esquema de corrupção, fraudes tributárias e pagamento de propinas na Secretaria da Fazenda da Bahia (Sefaz-BA).
Segundo o MP baiano, a fraude teria provocado um prejuízo estimado em R$ 400 milhões aos cofres públicos, incluindo adulteração de aproximadamente 111 milhões de litros de combustíveis.
Antes disso, uma tentativa de delação premiada em São Paulo acabou rejeitada pelo Ministério Público paulista. Conforme revelado, “Beto Louco” e “Primo” teriam oferecido mais de R$ 1 bilhão, mas investigadores entenderam que os investigados omitiram informações consideradas essenciais sobre a estrutura da organização criminosa e possíveis vínculos com o PCC.
Os dois empresários seguem foragidos desde agosto de 2025, quando foram alvos das operações Carbono Oculto, Tank e Quasar.
*Contrato com Alagoas já havia repercutido nacionalmente*
O vínculo entre o Governo de Alagoas e a Táxi Aéreo Piracicaba já havia ganhado repercussão nacional em 2025. Reportagem da coluna Painel, da Folha de S.Paulo, destacou que o Estado teria desembolsado R$ 17,8 milhões entre outubro de 2023 e setembro de 2024 com fretamento de aeronaves para deslocamentos do governador Paulo Dantas e outras autoridades estaduais.
Segundo os registros, os gastos aumentaram significativamente ao longo do período: após um pagamento inicial de R$ 1,65 milhão em 2023, os valores chegaram a R$ 8,87 milhões em 2024, incluindo despesas relacionadas a viagens institucionais para Brasília, São Paulo e encontros do Consórcio Nordeste.
Entre os pagamentos de maior valor registrados está um desembolso de R$ 494,9 mil, realizado em agosto de 2024, referente a uma viagem institucional que incluiu reuniões ministeriais e agenda política interestadual.




