Quinze pontos percentuais. Não é uma margem — é um abismo. E alagoas, que tão bem conhece a arte de fabricar abismos políticos, parece agora diante de um que ela própria não esperava encontrar tão cedo.
A pesquisa TDL, divulgada nesta sexta, não é um raio em dia de sol. É, antes, a confirmação em números daquilo que os bastidores já sussurravam com crescente convicção: JHC, o ex-prefeito de Maceió que o PSDB abrigou quando outros partidos ainda calibravam o peso do seu nome, chegou à condição de favorito declarado. Cinquenta e dois por cento das intenções de voto num cenário estimulado, a mais de três meses sequer do início formal da campanha. É a confortável posição de quem joga em casa — e sabe disso.
Do outro lado, Renan Filho. Trinta e sete por cento. Um senador de nome graúdo, herdeiro de uma dinastia que durante décadas moldou o mapa eleitoral alagoano como quem molda argila mole. Há algo de irônico — ou de cruel, conforme o gosto do leitor — em ver um Renan chegar ao embate como perseguidor, não como perseguido. A história da família no estado foi escrita, em grande parte, na condição de quem define o jogo. Agora o jogo parece definido por outro.
Não se decrete nada ainda. Eleição não se ganha em junho, e a política tem o hábito detestável de desmentir as certezas de meio de ano com a irreverência de outubro. Pesquisa é fotografia, não profecia — e fotografias envelhecem. Mas este enquadramento específico, com quinze pontos de diferença e apenas sete por cento de indecisos flutuando no ar, é o tipo de imagem que cobra um esforço considerável para ser rasgada.
O Palácio República dos Palmares tem dono atual, tem pretendentes e tem pesquisa. Falta o mais difícil: os três meses e meio que separam esta sexta-feira de outubro, tempo suficiente para que fortunas eleitorais virem, alianças se desfaçam e o eleitor alagoano, que já surpreendeu o Brasil mais de uma vez, decida se confirma o retrato ou se o reescreve do zero.
* A pesquisa foi realizada entre os dias 20 e 22 de junho de 2026, com 1.200 eleitores em diversas regiões de Alagoas. A margem de erro é de 2,7 pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.
O levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob o número AL-04608/2026 *
Fonte: Poder 360º




