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A pedagogia do poder

Há uma gramática silenciosa no poder — e em Alagoas ela se fala em sussurros de corredor, em bloqueios orçamentários, em cortes cirúrgicos que não aparecem nos jornais mas doem como faca.

O vice-governador Lessa está aprendendo, da pior maneira possível, que a política alagoana não esquece e não perdoa. O palácio cortou a assessoria da vice-governadoria, bloqueou pagamentos essenciais, e ainda assim isso é apenas a parte visível do iceberg. Nos bastidores, a rede tecida entre MV e os Calheiros trabalha sem descanso para desmontar Lessa peça por peça, não com um golpe frontal — isso seria elegante demais —, mas com a paciência metódica de quem envenena um poço antes de disputar a sede.

A razão é simples e antiga como a traição: Lessa foi vice de JHC, tornou-se vice de Dantas, e agora retorna ao campo do ex-prefeito de Maceió como candidato a vice-governador. No vocabulário da política de bastidor, isso se chama virada de casaca. E toda casaca virada tem um preço — cobrado geralmente em moeda miúda e continuada, nunca de uma só vez, porque a humilhação lenta é mais eficiente que a derrota rápida.

Alguém mais sábio que todos nós já resumiu a equação com a brutalidade direta dos que entendem o jogo sem precisar de metáforas: *pau para comer sabão, e pau para saber que sabão não se come*. É a síntese de uma filosofia política que não consta em nenhum manual, mas que governa Alagoas há décadas. O jogo com a turma, como se diz por lá, é bruto. Não pelo espetáculo da brutalidade — pela frieza com que ela é administrada.

O que se passa na vice-governadoria não é tragédia nem farsa. É liturgia. O ritual de punição que o sistema reserva aos que ousam trocar de lado sem pedir licença. Lessa sabe disso. Sabia antes. A questão, agora, é saber se sobreviverá ao processo — ou se se tornará mais um exemplo didático de como funciona a pedagogia do poder em Alagoas.

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